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Borracha: Uma importante cadeia produtiva no interior de São Paulo

(Imagem Pixabay - Peggy Marco)

Com quase 70% da produção nacional, o noroeste paulista se destaca na heveicultura, mas existem entraves na definição de preços e na oferta de mão de obra.

Quando pensamos na extração de látex, matéria-prima para inúmeros artefatos de borracha, é comum imaginarmos que o cultivo das seringueiras – a heveicultura – esteja localizada apenas no norte do Brasil, que viveu, no século 19, o auge do Ciclo da Borracha. No entanto, o Estado de São Paulo, onde as seringueiras foram introduzidas em 1917, é hoje o maior produtor de borracha natural do País. “A heveicultura está prioritariamente presente na região de São José do Rio Preto e, em segundo lugar, na região de Tupã”, explica Alfredo Chaguri Junior, coordenador da Comissão Técnica de Silvicultura da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP).

O Censo Agropecuário Paulista de 2016/17 informa que o Estado conta com 6.886 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) com seringais, ocupando área de 132.659,12 hectares, espalhada por 305 municípios. De acordo com Antonio Ginack Junior, coordenador-adjunto da Comissão Técnica de Silvicultura da FAESP, na região que abrange os municípios de São José do Rio Preto, Monte Aprazível, Olímpia, Riolândia e Nhandeara estão instaladas as doze principais indústrias do setor de beneficiamento de borracha.

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Segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP), nada menos que 68,2% do volume de matéria-prima desse setor produzido no Brasil é originado em terras paulistas. Levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA) revela que, em 2020, a borracha ocupou a 19ª colocação no ranking do Valor da Produção Agropecuária do Estado, com montante superior a R$ 639 milhões.

Os números impressionam, mas o setor se encontra atualmente diante do desafio de atender a Resolução SAA-46, de 03 de julho de 2021, que estabelece “as exigências fitossanitárias para o cadastro, a produção, o comércio e o transporte de materiais de propagação de seringueira (Hevea spp.) no Estado de São Paulo”. A norma prevê que o produtor deve cadastrar um plano detalhado de cultivo e armazenamento, informando o método de produção de mudas e, caso esta ocorra em contato direto com o solo, seja comprovado, por análise laboratorial, que o local está isento dos nematoides restritivos. “Uma das dificuldades da heveicultura está relacionada à forma de produção das mudas, pois o viveiro tem de ser, preferencialmente, suspenso.

Porém, poucos viveiros estão preparados para isso. Ginack Junior aponta que o custo para fazer viveiros nesse modelo é quatro vezes maior, o que implica cuidados adicionais. “Um vaso posicionado junto ao chão mantém a umidade. Quando suspenso, ele precisa de mais atenção na rega”, explica.

Queda nos preços

De acordo com o Boletim de Preços Agropecuários, elaborado pelo Departamento Econômico da FAESP com dados de julho de 2022, o preço do quilo da borracha látex estava em torno de R$ 4,25, uma queda de 12% no comparativo com os três meses anteriores. Segundo Ginack Junior, que também integra a Câmara Setorial da Borracha Natural do Estado de São Paulo, entre 40% e 50% do montante recebido pelos produtores são repassados aos sangradores, o que torna a atividade pouco lucrativa.

Segundo ele, o modelo de definição de preços no setor ainda é uma “incógnita”, mas para se ter uma dimensão desse mercado é preciso entender o panorama dos produtores. O coordenador-adjunto da FAESP explica que a heveicultura é hoje praticada como atividade secundária em muitas propriedades rurais, o que faz com que a lucratividade não esteja no centro da questão. A isso se soma o fato de que os seringais só podem ser sangrados durante nove meses do ano, ficando improdutivos nos demais.

“Além daqueles que têm negócios no segmento de cana de açúcar ou de gado, muitos proprietários de seringais são profissionais liberais que não dependem da atividade para seu sustento”. Isso pode explicar por que muitos produtores ainda não estão reagindo com intensidade contra os preços praticados no mercado e outras questões que atrapalham a heveicultura. Para muitos, aliás, o cenário parece satisfatório, de acordo com Ginack Junior. “De todo modo, esta é uma questão que vem sendo endereçada pela FAESP, a fim de buscarmos uma solução”.

Mão de obra

Na ponta da abrangente e valiosa cadeia produtiva da agroindústria da borracha está a figura dos sangradores, os profissionais especializados na extração e manejo do látex, a seiva necessária para a produção da borracha natural. Por isso mesmo, a lacuna na oferta de mão de obra também é um ponto a ser observado, principalmente pelo processo de sangramento na heveicultura se tratar de uma atividade praticamente artesanal.

“Este é um sério desafio para o setor, pois há falta de sangradores qualificados no Estado de São Paulo. Isso vem sendo uma dificuldade para os produtores, que têm de agregar mão de obra oriunda de outros estados. Por essa razão, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-SP) promove cursos para sangradores, buscando formar essa mão de obra”, declara Chaguri Junior.

A informação é do Sistema FAESP/SENAR.

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