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Um Olhar sobre as Profissões – com João Teodoro da Silva

Foto: Arquivo Pessoal

No mercado imobiliário como Corretor de Imóveis desde 1972, João Teodoro da Silva é formado em Gestão de Negócios Imobiliários, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, além de ser advogado civil e trabalhista. Fundador e diretor das empresas Teodoro Imóveis Ltda e da Brooklin Construções e Empreendimentos Ltda, já atuou como presidente do Sindimóveis/PR e do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI/PR). Atualmente, é presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI). No Um Olhar sobre as Profissões, conversamos com este profissional sobre sua carreira, os aprendizados ao longo dos anos, os desafios e os projetos que deseja realizar.

Confira a entrevista completa:

Economic News Brasil: Conte-nos um pouco sobre o início da sua vida profissional

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João Teodoro da Silva: Desenvolvi uma carreira bastante focada no mercado imobiliário, porém, paradoxalmente, eclética. Iniciei-me na vida profissional vendendo frutas e bugigangas em Curitiba. Depois, fui desenhista de arquitetura. Pouco mais tarde, já aluno na Faculdade de Ciências Física e Matemáticas, ingressei na área de tecnologia da comunicação. Simultaneamente, a convite de um irmão que já operava no mercado imobiliário, comecei a vender imóveis em plantões de finais de semana. Gostei!.

Em abril de 1975, em parceria com dois irmãos, inclusive aquele que me incentivara a vender imóveis em finais de semana, fundamos a empresa Teodoro Imóveis Ltda, que funcionou durante 23 anos. Paralelamente, também incursionei pelo comércio varejista. Com os mesmos sócios, adquirimos e gerimos, por vários anos, quatro lojas de brinquedos e utilidades domésticas em Curitiba.

Em 1982, formei-me em direito. De 1993 a 1999, sem abdicar do mercado imobiliário, fui nomeado e exerci o cargo de Desembargador do Trabalho, junto ao TRT 9ª Região-PR, pelo quinto constitucional classista patronal, Instituição extinta pela Emenda Constitucional nº 24, de 9 de dezembro de 1999.

ENB: Ingressar no mercado imobiliário já fazia parte dos seus projetos profissionais?

JTS: Não. Foi totalmente casual. Entrei no mercado em 1972, a convite de um irmão, objetivando ganhar algum dinheiro extra. Gostei e fiquei. Cerca de três anos depois, fundamos a empresa Teodoro Imóveis Ltda.

ENB: Para o sr. que está no mercado imobiliário desde 1972, como avalia as mudanças do setor ao longo dos anos?

JTS: Ao terminar o curso de direito, em 1982, decidiu entrar para a representação da classe como diretor adjunto no Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná. Foi quando comecei a sentir que nossa classe precisava de uma “chacoalhada”. Ajudei muito nisso, incentivando a educação geral e o ensino técnico continuado. As mudanças foram muitas. Em 1995, tínhamos apenas 23% dos corretores de imóveis com curso superior ou em formação. Hoje, já somos quase 70%. Muitos com pós graduação e alguns, inclusive, com mestrado e doutorado.

Isso muda muito o perfil profissional. Outro fator importante é a tecnologia. Em 2003, só 14% dos corretores inscritos no Sistema Cofeci-Creci tinham endereço eletrônico. Então, criamos um programa chamado PRONIT – Programa Nacional de Inserção Tecnológica. Cerca de oito anos depois, 100% dos corretores e imobiliárias já utilizavam intensamente a internet.

As redes sociais já começavam a despontar como fortes instrumentos de comunicação. Aproveitamos a onda. Com profissionais mais educados e melhor qualificados, mergulhamos de cabeça no uso da tecnologia. A pandemia, nesse aspecto, ajudou muito. Ela impulsionou muito fortemente o uso da tecnologia, principalmente por conta do isolamento social compulsório. Reuniões de negócios virtuais tornaram-se inevitáveis. Felizmente, estávamos preparados e correspondemos à nova sistemática operacional.

Hoje, acreditamos que 80% do trabalho de corretagem imobiliária opera-se por meio da tecnologia. Todavia continuamos confiando que o corretor nunca será substituído por uma máquina. A mercadologia imobiliária, assim como tantas outras, depende essencialmente das relações humanas. E estas não são mecanizáveis. A presença física, o olho-no-olho, que incute confiança, o aperto de mão, o abraço, enfim, a relação presencial inerente ao instinto gregário da humanidade jamais permitirá a dispensa do profissional corretor de imóveis no momento crucial da negociação: a hora do SIM. Por isso, equivoca-se quem fala em operação 100% virtual.

ENB: O que um profissional da área deve fazer para se destacar no mercado?

JTS: Há três coisas que são fundamentais:

1. Disponibilidade – o corretor tem de estar sempre disponível ao trabalho, seja em horários de refeições, de lazer ou em finais de semanas e feriados; jamais deixar de atender a um chamamento de cliente;

2. Empatia – o bom profissional tem de desenvolver sua capacidade de ser empático, de se colocar no lugar do seu interlocutor e poder “sentir” suas necessidades e anseios;

3. Disposição para aprender – a evolução imparável do mercado e da tecnologia, exige permanente aprendizado. Novidades acontecem a cada segundo e precisam ser assimiladas.

ENB: O Sr. fundou e dirigiu duas empresas no ramo imobiliário, como foi a experiência de estar a frente desses grandes projetos?

JTS: Qualquer projeto, independente de sua grandeza, exige planejamento, acompanhamento, adequações e dedicação. Hoje, por exemplo, é sábado, dia de descanso, mas estou aqui, respondendo a estas indagações porque não poderei fazê-lo durante a semana, em função de minha agenda lotada. Minhas experiências profissional e representativa, sempre foram assim: pensadas, planejadas, adequadas e solucionadas.

ENB: Como atuar em sindicatos e conselhos potencializou seu lado profissional?

JTS: O serviço voluntário junto à classe potencializa a network. Esta, por sua vez, potencializa negócios. Dá muito trabalho, mas esse é o lado bom.

ENB: Quais os principais desafios enfrentados junto aos Conselhos em que já atuou?

JTS: A principal delas é a incompreensão de alguns de nossos pares. Infelizmente, ainda há quem não compreenda a importância da organização e da representação profissional ou empresarial. Ainda há quem acredite que trabalhamos voluntariamente por benefícios pessoais, que não existem. No mais, a crônica escassez de recursos para ações mais incisivas e poderosas.

ENB: Como funciona a gestão e quais apontamentos valem destaque quanto a sua atuação como presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI)?

JTS: A gestão é tranquila. Sempre tive apoio quase incondicional de meus pares. Desde que fui alçado à presidência do Cofeci, sempre fui reeleito por aclamação. Muitas coisas boas aconteceram, mas algumas delas merecem realce:

1. A unificação do vencimento dos mandatos dos Conselhos Federal e Regionais em 1º de janeiro;

2. A criação do termo Sistema Cofeci-Creci e sua consolidação como instrumento de gestão. A ideia foi copiada por vários outros conselhos;

3. A aprovação da Lei 10.795/2003, que aperfeiçoou a Lei 6.530/78;

4. A criação e consolidação do CNAI – Cadastro Nacional de Avaliadores Mercadológicos;

5. A criação e consolidação do ENBRACI – Encontro Brasileiro de Corretores de Imóveis e do Mercado Imobiliário, dentre outros.

ENB: Quais os próximos passos: projetos, desafios e sonhos?

JTS: Alguns projetos importantes estão em andamento:

1. O aperfeiçoamento da Lei de regência da profissão, a Lei 6.530/78, com a introdução do profissional corretor de imóveis de nível superior;

2. A construção da nova sede do Cofeci em Brasília. Quanto aos sonhos, o maior deles é tornar a profissão de corretor de imóveis no Brasil tão reconhecida e respeitada quanto ela é nos Estados Unidos e em alguns outros países do chamado primeiro mundo.

ENB: Um Olhar sobre o Economic News Brasil por João Teodoro da Silva.

JTS: Vislumbro um Brasil, se não o melhor, pelo menos, equiparável aos melhores e mais prósperos países do mundo. Sempre baseado na liberdade econômica, no Estado mínimo e no Estado democrático de direito. A Liberdade de expressão é direito fundamental no Brasil, insculpido como cláusula pétrea (imutável) no art. 5o, incisivo IX da CF: “_É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença_”. O mesmo preceito é repetido no art. 220 da CF.

Infelizmente, nos últimos tempos, temos sido vítimas frequentes da quebra desse importante e indispensável preceito democrático. Muitos canais pela internet tem sido desmonetizados e até proibidos de ir ao ar porque expressam opinião que contraria interesses de esquerda. Não obstante, há quem resista. Um dos meios de comunicação que continua a enaltecer nossos mais arraigados valores: família, pátria e liberdade é o Portal Economic News. Por isso, deixo aqui, a todos que o compõem, nossos agradecimentos pela coragem e higidez de princípios. Que Deus nos abençoe e nos dê forças para nos mantermos firmes em nossos propósitos.

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