OCEANI.CO – Por Rômulo Alexandre Soares

O título deste artigo deu nome a uma experiência de design fiction que o Hub Cumbuco e a Rito Produção Cinematográfica conduziram na penúltima semana do ano. Um time de 24 especialistas em praias e oceano se juntaram com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado do Ceará, Qair Energy e Prefeitura de Caucaia para uma jornada de cocriação em torno de futuros possíveis associados a ambientes costeiros e marinhos num horizonte de 20 anos. O produto é formado por cinco histórias assinadas por roteiristas e ilustradores, inspiradas nos personagens, contexto e conflitos manuscritos pelos especialistas reunidos, a serem publicadas no próximo mês.

2022 foi um ano de desafios e aprendizado na relação entre o Ceará e o mar. Sintetizando, quanto mais próxima do (mar)etório, mais consistentes foram os avanços na estrutura de governança e proteção dos ecossistemas marinhos e desenvolvimento sustentável dos 249 mil km² de mar do Ceará. O estado recentemente aprovou uma Lei do Mar e uma Lei da Conservação e Uso Sustentável dos Recursos do Mar. Também lançou uma plataforma de Dados Espaciais Ambientais contendo um atlas digital costeiro e marinho. O programa estadual Cientista-Chefe que abrangeu a área de meio ambiente também deu certo, assim como o esforço para dar protagonismo ao Ceará nos principais fóruns internacionais que debateram mudanças climáticas e oceano. Transição energética, economia de baixo carbono e hidrogênio verde têm uma profunda relação com o futuro e com o mar e 2022 mostrou isso. Por sua vez, quanto mais próximo do (terr)itório, menores foram os avanços, com destaque para o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro e o Zoneamento Econômico-Ecológico da Zona Costeira Cearense – ZEEC. Este último em discussão há mais de uma década e, indefinido, segue gerando rastro de insegurança jurídica nos 573km de litoral do Ceará.

O mar ganhou as capas de jornais, não apenas para destacar que o Ceará quebrou novamente o Guinness World Record de velejo coletivo de kitesurf, mas que o Cumbuco agora também é Bandeira Azul, os projetos de geração de energia renovável no mar estão mais próximos de se tornarem realidade e o Ceará se manteve um dos maiores exportadores de pescado do Brasil.

Em 2022, os principais jornais do Ceará deram destaque a essa porção azul – aqui, verde – que representa quase 70% da terra, produz 70% do oxigênio que respiramos, abriga 80% das espécies animais e vegetais e é uma importante fonte de proteína para alimentação humana. Muitos assuntos discutidos em 2022 prosseguem interessando o Ceará, como áreas protegidas marinhas e sua possível associação benéfica a parque eólicos off-shore, ou também caminhos e vantagens dos portos estarem conectados ao ecossistema global de inovação e trazer oportunidades para o porto do Pecém desempenhar um papel estratégico como plataformas de lançamento para uma nova geração de empresas azuis.

Poucos temas podem despertar tantas interfaces com o futuro como o oceano. A humanidade vive em torno dele. Por séculos, as pessoas afluem para centros urbanos, muitos em expansão nas regiões costeiras. Por sua vez, o oceano pressiona enormes faixas de terra, constrangendo a orla de inúmeras cidades decorrente dos efeitos da ação humana no clima e solo. Em outras palavras, a humanidade e o oceano têm uma profunda ligação entre eles, na alegria e na tristeza. Por isso, ele deve ser destaque novamente em 2023.

*Opinião – Artigo Por Rômulo Alexandre Soares, advogado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.

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