Desafios e oportunidades nas periferias brasileiras – Por Eudes Xavier

Artigo Por Eudes Xavier, ex-deputado federal e atual assessor de articulação do SESC-CE.

As periferias brasileiras enfrentam diversas barreiras para o acesso a serviços básicos, como saúde, educação e segurança, além de sofrerem com a falta de valorização do trabalho realizado pelas organizações locais. No entanto, a filantropia pode ser uma importante estratégia para promover o desenvolvimento social e o empreendedorismo nessas comunidades.

Instituto NU

A pesquisa “Periferias e Filantropia: as barreiras de acesso aos recursos no Brasil”, lançada pelo Instituto Pipa em parceria com o Instituto Nu, uma iniciativa de impacto social desenvolvida e mantida pelo Nubank, criada em 2021, traz dados alarmantes sobre a realidade das organizações de periferia no país. Segundo o estudo, 31% dessas organizações vivem com menos de R$ 5 mil por ano, e em 89% delas, as equipes gestoras têm mais de um emprego. Além disso, em 58% delas, toda a equipe é voluntária. É importante destacar que 74,1% dos integrantes dessas organizações são pessoas negras, e 68% são mulheres.

No lançamento da pesquisa “Periferias e Filantropia”, Patrícia Kunrath do GIFE destacou a relevância do estudo. Ela mencionou que os moradores das periferias conduziram a pesquisa, muitas vezes em condições desafiadoras. Segundo Patrícia, é crucial criar formas para democratizar o acesso a recursos nas periferias, onde se concentram 90% das iniciativas da pesquisa. Ela enfatiza a necessidade de revisar o financiamento para organizações locais, visando facilitar a transformação social.

Para quem não conhece, O Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) é uma associação brasileira de investidores sociais privados, que engloba institutos, fundações, fundos familiares, corporativos e independentes. Fundado em 1995 como uma organização sem fins lucrativos, tornou-se uma referência no Brasil em investimento social privado. Atualmente, possui uma rede com mais de 160 associados, que juntos já contribuíram com mais de R$ 5,3 bilhões em investimentos sociais desde 2020, conforme dados da instituição.

Valorização do Trabalho

Os dados apresentados na pesquisa evidenciam a necessidade de se repensar a forma como o financiamento é concedido para as organizações de periferia. É preciso que haja uma maior valorização do trabalho realizado por essas instituições, que conhecem de forma fiel a realidade de cada comunidade e sabem das suas necessidades.

A pesquisa também mostra que as condições de prestação de contas são muito burocráticas e não há flexibilidade para a execução do recurso, dificultando o acesso ao financiamento por parte das organizações de periferia. Outra barreira importante é a impossibilidade de remunerar uma equipe suficiente para implementar o projeto com o recurso disponibilizado, uma realidade enfrentada por muitas organizações que se desdobram em diferentes empregos para garantir sua subsistência.

Data Favela

No entanto, a pesquisa revela oportunidades para o desenvolvimento social e o empreendedorismo nas periferias. Segundo dados do Data Favela, as favelas brasileiras vêm ganhando destaque no cenário empreendedor, com um aumento expressivo na renda própria de seus moradores, que alcançou R$ 202 bilhões em 2022. Além disso, a pesquisa revelou que 35% dos entrevistados têm o sonho de abrir um negócio próprio, o que representa a opinião de cerca de 6 milhões de pessoas.

Além disso, é preciso que os grandes doadores do país valorizem o trabalho realizado por essas organizações e conheçam de forma mais profunda a realidade das periferias, potencializando o financiamento para essas instituições. É importante que os doadores reconheçam que as periferias são parceiras estratégicas na transformação social do país e que o conhecimento e a expertise dessas organizações locais devem ser valorizados.

Empreendedorismo

Outra estratégia para o desenvolvimento social é o estímulo ao empreendedorismo local nas periferias. As favelas brasileiras vêm mostrando um grande potencial empreendedor, e é fundamental que haja políticas públicas e iniciativas privadas que incentivem e apoiem o desenvolvimento de negócios nessas comunidades. Isso pode incluir a oferta de capacitação e formação empreendedora, o acesso a linhas de crédito especiais e o estabelecimento de parcerias entre empresas e organizações locais.

Desenvolvimento Social e Econômico

Concluindo o pensamento do nosso artigo de hoje, digo que a pesquisa Periferias e Filantropia revela que há muitos desafios a serem enfrentados nas comunidades. Para promover o desenvolvimento social e econômico é fundamental que haja uma maior valorização do trabalho das organizações, além de políticas públicas e iniciativas privadas que incentivem o empreendedorismo local e o acesso ao financiamento. A transformação social das periferias é um desafio coletivo que demanda ações efetivas e estratégicas de diferentes setores da sociedade.

*Opinião – Artigo Por Eudes Xavier, ex-deputado federal e atual assessor de articulação do SESC-CE.

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