Participação dos salários no PIB teve o menor nível em 19 anos

participação dos salários no PIB
(Foto: Arquivo/Agência Brasil).

A parcela de salários no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vem diminuindo desde 2017. Em 2021, essa participação atingiu apenas 39,2%, o menor percentual desde 2004, conforme indica o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, a parte do lucro das empresas no PIB subiu para 37,5% em 2021, a maior desde 2000. Em 2016, a participação dos salários no PIB atingiu seu valor máximo de 44,7%, desde então, essa proporção diminuiu para menos de 40%. Esse desequilíbrio reflete uma economia que se afasta dos modelos das nações desenvolvidas e aponta para um aumento das desigualdades sociais.

Redução de empregos formais e CLT

Especialistas apontam várias razões para essa mudança. Entre elas, destacam-se a redução de empregos formais, o crescimento dos lucros impulsionado pela digitalização e automação, e a maior “pejotização”. Este termo descreve a prática de contratar trabalhadores como pessoas jurídicas, transformando o que antes se considerava salário em lucro empresarial.

Pandemia da covid-19

A pandemia de covid-19 intensificou a tendência de queda nos rendimentos dos trabalhadores, com uma recuperação lenta subsequente. Mesmo com algum progresso recente, a participação dos salários no PIB ainda não retornou aos níveis pré-pandemia. Isso se reflete em uma distribuição de renda cada vez mais desigual, com sérias implicações para o bem-estar da população.

Para reverter essa tendência e melhorar o poder de compra dos trabalhadores, os salários reais precisam crescer acima do PIB e da produtividade. Fernando Montero, economista-chefe da Tullett Prebon Brasil, observa que a recuperação dos salários tem sido desafiadora. As perdas salariais recentes foram altas, apesar das políticas governamentais de auxílios e transferências sociais.

De acordo com o economista, nos Estados Unidos e em outras economias avançadas, a remuneração dos empregados compõe uma fração maior do PIB, contrastando fortemente com a situação no Brasil. Essa discrepância sublinha a necessidade urgente de políticas que promovam uma distribuição de renda mais justa e um crescimento econômico que beneficie todos os brasileiros.

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