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Bancos estatais voltam a ter participação no crédito após 8 anos

Bancos estatais voltam a ter participação no crédito após 8 anos
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Após um intervalo de oito anos, os bancos públicos retomaram a expansão de sua participação no mercado de crédito brasileiro em 2023. Esta evolução é refletida pelo aumento de 0,6 ponto percentual, alcançando 42,9% do mercado total de empréstimos e financiamentos, que soma R$ 5,8 trilhões. Essa mudança marca o fim de uma sequência de reduções iniciada em 2015 e destoa do período de diminuição do envolvimento dessas instituições na economia, observado desde a administração de Michel Temer.

Especialistas apontam para o crédito agrícola e imobiliário como principais motores deste crescimento, setores nos quais o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal têm atuação destacada. Essa dinâmica acontece em um momento em que o governo Lula busca reforçar o papel dos bancos federais, apesar de a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no crédito ter recuado de 8,5% para 8,2% em 2023.

Por outro lado, os bancos com controle privado, tanto nacionais quanto estrangeiros, adotaram uma postura mais cautelosa na expansão de suas carteiras de crédito. Esse comportamento se deve aos altos juros básicos estabelecidos pelo Banco Central e a uma aversão ao risco, especialmente no início de 2023, devido a incertezas sobre a economia e preocupações com o aumento da inadimplência.

A despeito de uma desaceleração geral no mercado de crédito em 2023, com um crescimento de 7,9% em comparação aos 14,5% de 2022, os bancos públicos conseguiram ampliar suas carteiras em 9,5%, contra uma redução para 6,7% observada nas instituições privadas. Isso contribuiu para que os bancos estatais aumentassem sua fatia de mercado.

Economistas, como Carlos Macedo e Nicola Tingas, destacam o papel dos bancos públicos no contexto atual, enfatizando a importância das políticas governamentais progressistas e do crédito como ferramenta anticíclica. Macedo salienta que, embora o crescimento de 10% nas carteiras dos bancos públicos em 2023 não se compare aos níveis observados no governo Dilma Rousseff, indica uma abordagem conservadora do atual governo, que pode gerar resultados mais expressivos a longo prazo.

Em suma, a retomada da participação dos bancos públicos no mercado de crédito em 2023 reflete uma combinação de políticas governamentais e a força dos setores agrícola e imobiliário, sinalizando possíveis tendências para o futuro do setor financeiro nacional.

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