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Valorização do real coloca moeda entre as que mais subiram no mundo

Mesmo com tarifas dos EUA, a valorização do real em janeiro foi de 5,87%, colocando a moeda entre as três mais fortes do mês.
A valorização do real em janeiro foi de 5,87%, superando o dólar e ficando atrás apenas do rublo e do peso colombiano.
(Imagem: Carlito Canhadas/Pixabay)

Depois de encerrar 2024 com o segundo pior desempenho entre 33 moedas do mundo, o real iniciou 2025 em trajetória de recuperação, ocupando o terceiro lugar entre as moedas que mais se valorizaram em relação ao dólar em janeiro. De acordo com dados do Valor Data, a moeda brasileira teve alta de 5,87% no mês, ficando atrás apenas do rublo russo, que subiu 15,4%, e do peso colombiano, com avanço de 6,56%.

No lado oposto, o peso argentino registrou a maior desvalorização no período, com queda de 1,92%. Entre as 33 moedas analisadas, apenas nove apresentaram desempenho negativo neste início de ano.

Tarifas comerciais dos EUA impactam o dólar, mas real mantém valorização

O fortalecimento do real ocorre em um cenário internacional de tensão, especialmente após o segundo mandato de Donald Trump começar com políticas protecionistas. O mercado esperava que o presidente dos Estados Unidos implementasse rapidamente tarifas sobre parceiros comerciais, e isso afetou o comportamento do dólar no mundo.

Na última sexta-feira, Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos do México e Canadá e de 10% sobre importações da China, que entram em vigor neste sábado (1º). A decisão desacelerou a queda do dólar frente ao real, mas não foi suficiente para impedir a valorização da moeda brasileira.

Vídeo do canal CNN Brasil no YouTube.

No Brasil, o dólar iniciou 2025 cotado a R$ 6,17 e atualmente gira em torno de R$ 5,80, reflexo da diminuição de apostas contra o real e de uma melhora na percepção dos investidores sobre economias emergentes.

Ibovespa avança em janeiro, mas fica atrás de bolsas europeias

O Ibovespa também reagiu positivamente no início de 2025. Após ter acumulado uma queda de 10,36% no ano passado — desempenho superado negativamente apenas pela bolsa mexicana, que recuou 13,72% — o principal índice da B3 subiu 4,86% em janeiro.

Apesar da recuperação, o Ibovespa ficou fora do top 10 de maiores altas globais, ocupando a 11ª posição. O ranking é liderado pelo DAX-30, da Alemanha, que registrou um avanço de 9,16% no período.

O índice brasileiro, porém, superou os resultados das bolsas norte-americanas. O Dow Jones teve alta de 4,7%, o S&P 500 subiu 2,7% e o Nasdaq avançou 1,64%. Já no lado negativo, apenas duas das 20 principais bolsas globais apresentaram quedas: o Xangai Composto, da China (-3,02%), e o Nikkei, do Japão (-0,81%).

O que esperar do mercado brasileiro nos próximos meses?

A valorização do real e a recuperação do Ibovespa refletem fatores internos e externos, incluindo o impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a melhora do ambiente para países emergentes. A cotação do dólar em queda e a reação positiva da bolsa brasileira mostram um início de ano mais otimista.

Segundo analistas do mercado financeiro, resta saber se essa tendência de recuperação será sustentada ao longo de 2025. O cenário internacional, com políticas protecionistas e incertezas econômicas, ainda pode influenciar negativamente os próximos meses.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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