Anúncio SST SESI

Liquidez da Pátria Investimentos questionada após relatório de short seller

A liquidez da Pátria Investimentos é questionada após relatório da Snowcap Advisors, que indica dificuldades da gestora em converter ativos em caixa. Com cerca de US$ 50 bilhões sob gestão, a análise menciona avaliações elevadas e limitações na monetização. A saída da Blackstone aumentou a preocupação entre investidores, mas a Pátria nega risco de crise de liquidez. Descubra os detalhes!
Liquidez na Pátria Investimentos em destaque na Nasdaq após relatório de análise
Segundo relatório, a Pátria Investimentos estaria enfrentando limitações para converter parte relevante de seus investimentos em caixa efetivo. (Foto: Divulgação)

A liquidez da Pátria Investimentos atraiu a atenção do mercado financeiro na última quarta-feira (29/01), após a divulgação de um relatório elaborado pela americana Snowcap Advisors, que mantém posição vendida nas ações da gestora listada na Nasdaq. As informações foram reveladas pelo portal Times Brasil, que disse ter acesso ao documento e aos dados utilizados para a análise.

Confira detalhes no vídeo:

Segundo o relatório, a análise teria como base informações públicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relatórios de agências de risco e depoimentos atribuídos a ex-executivos, além de dados operacionais dos principais ativos da gestora.

De acordo com a matéria, a gestora, que administra cerca de US$ 50 bilhões em ativos, estaria enfrentando limitações para converter parte relevante de seus investimentos em caixa efetivo. Conforme o Times Brasil, a Snowcap associa essas limitações à dificuldade de monetização efetiva dos ativos. O relatório destaca ainda o vencimento de parcelas relevantes dos fundos sob gestão nos próximos anos.

Segundo o relatório analisado pelo portal, a Snowcap aponta que a gestora utiliza avaliações internas superiores às referências observadas no mercado para sustentar o valor contábil de ativos relevantes.

Na leitura apresentada pela casa de análise, essa prática reduziria a flexibilidade financeira da estrutura. O relatório indica ainda que esse fator ampliaria o risco associado à liquidez da Pátria Investimentos em cenários de reavaliação.

A discussão sobre a liquidez da Pátria Investimentos também foi abordada na última semana pelo Piperline, que destacou que o desempenho dos investimentos da gestora e a marcação dos ativos em carteira voltaram ao radar de investidores.

Ativos concentrados e avaliações elevadas na liquidez da Pátria Investimentos

Entre os casos destacados na matéria está a Elfa Medicamentos, que concentra aproximadamente 52% do valor líquido não realizado de um dos principais fundos de private equity da gestora. A Snowcap observa que o ativo é avaliado internamente a 15,6 vezes EV/EBITDA, enquanto empresas comparáveis negociam entre 4x e 6x. No mercado secundário, o mercado negocia títulos de dívida da companhia em torno de US$ 0,50 por dólar, sinalizando restrições severas de liquidez operacional.

O relatório também mencionaria aportes estimados em R$ 1,1 bilhão realizados por meio de estruturas fora do balanço para sustentar o ativo. Segundo a análise, essa prática posterga o reconhecimento de perdas.

Outros investimentos seguiriam padrão semelhante, segundo o relatório que trata da liquidez na Pátria Investimentos. A Athena Saúde aparece avaliada a 33,9x EV/EBITDA, frente a 7,7x de pares do setor. A Superfrio, que registra fluxo de caixa negativo, é mantida a 14,2x, acima do múltiplo de mercado de 9,9x. Já a Essentia Energia, recapitalizada em R$ 655 milhões em 2024, segue avaliada a 18,5x, ante 7,7x observados em empresas comparáveis.

Saídas internas, histórico e pressão por capital

Outro eixo da análise envolve o uso de transações entre fundos da própria gestora para registrar saídas e gerar taxas de performance, sem entrada de recursos externos. A Snowcap descreve esse mecanismo como liquidez sintética, por não produzir caixa novo para os fundos.

Desde o IPO, em 2021, a gestora realizou sete saídas relevantes. Segundo o relatório, a maioria não resultou em liquidez efetiva para investidores. A análise aponta ainda ao menos dois episódios históricos de reavaliações abruptas de fundos. Em um deles, investidores teriam solicitado a dissolução do veículo, enquanto a cobrança de taxas teria sido mantida.

Esse histórico se conectaria ao desafio atual de captação, na leitura apresentada pela Snowcap. A Snowcap estima que a Pátria busca levantar cerca de US$ 5 bilhões (R$ 30,9 bilhões) em novos recursos e interpreta a manutenção de valuations elevados como uma forma de “comprar tempo” para sustentar o processo de captação.

O relatório também relacionou os riscos financeiros a eventos institucionais recentes. Entre eles estão a saída integral da Blackstone, que detinha cerca de 40% do capital, a renúncia da diretora financeira e a troca da auditoria externa. Segundo a análise, esses fatores teriam ampliado a cautela de investidores internacionais.

O que disse a gestora sobre a liquidez na Pátria Investimentos

No dia seguinte à divulgação da análise, em 30 de janeiro, a Pátria Investimentos enviou nota aos portais informando estar ciente do relatório. Na mesma comunicação, a gestora classificou diversas conclusões como interpretações equivocadas de seus negócios.

A Pátria nega qualquer risco de crise de liquidez e informou que comentários adicionais estão limitados pelo período de silêncio que antecede a divulgação dos resultados do ano fiscal completo, previstos para 10 de fevereiro.

Em nota ao portal, a Pátria também afirmou que “é uma empresa listada na Nasdaq e todas as informações financeiras são públicas e ficam disponíveis no site de Relações com Investidores (ir.patria.com)”.

Segundo a companhia, a estratégia segue focada em execução disciplinada e alinhada aos interesses dos acionistas.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

Mais lidas

Últimas notícias