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Por que as ações da Minerva caíram? Movimento expõe risco relevante ao mercado

As ações da Minerva recuaram após rebaixamento da XP e restrições da China até 2028. Mesmo com melhora projetada no Ebitda, mercado reprecifica risco ligado a ciclo do gado, câmbio e concentração em proteína bovina.
Ações da Minerva em queda após restrições da China
As ações da Minerva recuam após revisão de recomendação e limites às exportações para o mercado chinês. Imagem: Divulgação Minerva

As ações da Minerva caíram mais de 6% no intradia e encerraram próximas de R$ 5,39 após a XP cortar a recomendação de compra para neutra e reduzir o preço-alvo para R$ 7,2. O ajuste sinaliza revisão de risco no papel em meio a incertezas externas e pressão setorial.

A decisão veio acompanhada de cortes nas estimativas de Ebitda para 2026 e 2027 e de alerta sobre “assimetrias negativas” e risco de overhang. Embora a casa ainda veja demanda global firme por carne bovina, o curto prazo perdeu tração. A investigação, contudo, esbarra em um detalhe regulatório vindo da Ásia.

Ações da Minerva enfrentam trava chinesa até 2028

A China não deve habilitar novos frigoríficos brasileiros até 2028, conforme declarou Carlos Augustin, assessor do Ministério da Agricultura. Além disso, Pequim impôs cota de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%, enquanto o excedente paga 55%. O desenho limita expansão de plantas e altera a equação de exportações brasileiras.

No terceiro trimestre de 2025, 17% da receita bruta veio da China. A concentração em proteína bovina, sem a diversificação de pares como JBS e BRF, amplia a exposição ao ciclo externo. Para além do efeito imediato, o cenário revela dependência relevante de mercado e de política comercial.

Ciclo do gado e câmbio entram na conta

A XP também apontou iminente virada do ciclo do gado, com possível redução de oferta e incerteza sobre o preço do boi gordo. Ao mesmo tempo, o fortalecimento do real frente ao dólar comprime margens de quem exporta. Em empresas focadas em frigoríficos e com base produtiva concentrada no Brasil, o impacto tende a ser mais direto.

Parte dos investidores migrou para companhias com maior diversificação geográfica e de proteínas. Essa rotação ajuda a explicar por que JBS e BRF operaram em direção oposta no mesmo pregão.

Resultado melhora, mas não sustenta o papel

Para o quarto trimestre de 2025, a XP projeta lucro líquido de R$ 188 milhões, ante prejuízo no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado estimado é de R$ 1,216 bilhão, alta anual de 29%. Ainda assim, o mercado priorizou risco estrutural a melhora pontual de balanço.

No fim, as ações da Minerva passaram a refletir menos o desempenho operacional imediato e mais a combinação entre restrição chinesa, ciclo pecuário e sensibilidade cambial. Se o cenário externo não aliviar, o desconto aplicado ao valuation pode persistir e redefinir o espaço da companhia no mapa global de proteína animal.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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