O Governo de São Paulo colocou, nesta segunda-feira (23/03), em consulta pública a possibilidade de privatização do Conjunto Desportivo Constância Vaz Guimarães (o Complexo esportivo do Ibirapuera), abrindo, assim, prazo até 24 de abril (24/04) para receber contribuições sobre a concessão do complexo esportivo e da Vila Olímpica Mário Covas à iniciativa privada.
A etapa, conduzida pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), coloca o projeto em análise antes de qualquer definição sobre o modelo final. Além disso, o processo inclui coleta de sugestões da sociedade e de agentes interessados sobre a possível entrada do Ibirapuera em iniciativa privada.
Privatização do complexo esportivo do Ibirapuera: proposta apresenta diretrizes e exigências
O plano prevê, segundo o governo paulista, a qualificação da infraestrutura, a ampliação do acesso e a diversificação de atividades esportivas e culturais no Conjunto Desportivo Constância Vaz Guimarães, com área próxima de 92 mil metros quadrados.
Já a Vila Olímpica Mário Covas, com cerca de 174 mil metros quadrados e localizada na região da Rodovia Raposo Tavares, deve receber investimentos para otimizar a estrutura existente, conforme a proposta oficial.
A continuidade do privatização do complexo esportivo do Ibirapuera depende da conclusão do processo de tombamento patrimonial e da elaboração de um plano de intervenção urbana, com acompanhamento de órgãos de preservação histórica, cultural e ambiental.
Histórico da concessão e decisões que travaram o projeto
A consulta pública atual para privatização do complexo esportivo do Ibirapuera não parte de um projeto inédito. O governo de São Paulo já havia estruturado uma tentativa de concessão do Complexo do Ibirapuera, mas o projeto não avançou diante de entraves jurídicos e institucionais.
Em 2019, a Assembleia Legislativa aprovou a lei que autorizava a concessão, com previsão de contrato de 35 anos e investimento mínimo de R$ 220 milhões. À época, o então governador João Doria afirmou que o equipamento gerava prejuízo anual de R$ 10 milhões. O modelo incluía alterações na ocupação do espaço, como áreas comerciais e uma arena multiuso, o que ampliou a resistência ao projeto.
Esse cenário levou à judicialização. Em dezembro de 2020, porém, a Justiça suspendeu o edital após ação popular. No ano seguinte, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concedeu tombamento provisório ao conjunto, adicionando novas exigências para qualquer intervenção.
Privatização do complexo esportivo do Ibirapuera inclui Vila Olímpica com histórico de execução irregular
A inclusão da Vila Olímpica Mário Covas no projeto ocorre em meio a dificuldades na execução de obras no local. O que, inclusive, adiciona um elemento adicional de complexidade ao processo em discussão. A pista de atletismo, licitada em agosto de 2022 por R$ 40,3 milhões e com prazo inicial de 18 meses, não avançou como previsto.
O contrato acumulou quatro aditamentos antes de ser rescindido, e as tentativas de retomada também enfrentaram obstáculos. Três processos de relicitação foram interrompidos pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), o que prolongou a indefinição sobre a conclusão da obra.
Diante desse cenário, o governo publicou, em novembro de 2025, um novo convênio de R$ 24,7 milhões para executar o remanescente. Esse histórico recente não apenas expõe fragilidades na execução, como também passa a pesar sobre a discussão da privatização do complexo esportivo do Ibirapuera.





