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Data centers de big techs consumiram quase 1 trilhão de litros de água em 2025

O consumo de água de data centers com inteligência artificial atingiu níveis equivalentes a grandes cidades, pressionando big techs e revelando um custo ambiental crescente da IA.
Consumo de água dos data centers cresce com expansão da inteligência artificial
Interior de um data center, em 2025, consumiu quase 1 trilhão de litros de água, volume comparável à demanda anual de Nova York (Foto: Reprodução)

O consumo de água dos data centers impulsionado pela inteligência artificial já atingiu níveis equivalentes ao abastecimento de grandes cidades, e passou a pressionar bigtechs como Amazon, Microsoft e Google.

Nos Estados Unidos, os data centers consumiram quase 1 trilhão de litros de água em 2025, volume comparável à demanda anual de Nova York. O dado revela um impacto pouco visível da inteligência artificial: por trás dos serviços digitais, há uma infraestrutura que depende diretamente de água e energia em larga escala.

Esse avanço muda a percepção sobre a IA. O que antes era tratado apenas como inovação agora passa a carregar um custo ambiental concreto e cada vez mais observado por investidores. Portanto, o crescimento da inteligência artificial parece depender não só de tecnologia, mas também da disponibilidade de recursos naturais.

Consumo de água dos data centers cresce com a inteligência artificial

A expansão da inteligência artificial elevou a necessidade de processamento, aumentando o número e o porte dos data centers.

Essas estruturas operam com servidores que geram calor constante e exigem sistemas de resfriamento. Em muitos casos, esse processo depende do uso intensivo de água.

O resultado é um aumento contínuo no consumo de água dos data centers, especialmente nos Estados Unidos, onde há maior concentração dessas instalações.

Mesmo com avanços como o resfriamento em circuito fechado, que reduz o uso de água, o crescimento da IA tem superado os ganhos de eficiência.

Impacto já aparece nos números das big techs

Os efeitos da inteligência artificial já aparecem nos dados ambientais das empresas.

A Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, elevou seu consumo de água de 3.726 para 5.637 megalitros entre 2020 e 2024, alta de 51%. Já a Alphabet, controladora do Google, registrou aumento de 51% nas emissões no mesmo período.

Esses números mostram uma tensão crescente: enquanto as empresas expandem a inteligência artificial, enfrentam mais dificuldade para cumprir metas climáticas.

Para investidores, isso muda o risco. O consumo de água dos data centers deixa de ser um detalhe técnico e passa a influenciar a avaliação das empresas.

Falta de transparência vira ponto de pressão

E os investidores, é claro, têm cobrado mais clareza sobre o consumo de água dos data centers.

Hoje, muitas empresas divulgam dados agregados, sem detalhamento por localização. Isso dificulta entender o impacto real em regiões específicas, principalmente onde há escassez hídrica.

Além disso, parte relevante da infraestrutura, tal como unidades alugadas ou operadas por terceiros, nem sempre aparece nos relatórios.

Na prática, essa falta de transparência impede uma avaliação completa dos riscos. Por isso, cresce a pressão para que o consumo de água ligado à inteligência artificial seja reportado com o mesmo rigor de indicadores financeiros.

Comunidades começam a reagir ao avanço da IA

O aumento do uso de água pelos data centers já provoca reação fora do mercado financeiro.

Projetos de novos centros enfrentam resistência de comunidades locais preocupadas com o impacto sobre o abastecimento e os recursos naturais.

Em alguns casos, essa oposição levou ao cancelamento de projetos bilionários, indicando que a expansão da inteligência artificial encontra limites físicos e sociais.

Isso altera a lógica do setor. A instalação de novos data centers passa a depender também de aceitação local e disponibilidade de água. A alternativa, porém, também não agrada com energia nuclear ainda ganhando força em várias pautas de discussão sobre o setor de tecnologia e IA

Consumo de água dos data centers é o custo invisível da inteligência artificial

A inteligência artificial ampliou a capacidade digital das empresas, mas também criou uma demanda crescente por recursos naturais.

O consumo de água dos data centers se consolidou como um dos principais indicadores desse impacto, mostrando que a economia digital depende de infraestrutura física intensiva.

Para o usuário, esse custo não é visível no uso diário. Mas ele já influencia decisões de investimento, expansão e estratégia das maiores empresas de tecnologia.

E, à medida que a inteligência artificial avança, o consumo de água tende a crescer. Portanto, colocando esse recurso no centro do debate econômico e ambiental global.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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