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Aluguel de motos para delivery dispara com apps e cria novo mercado no Brasil

O avanço dos aplicativos de entrega fez o aluguel de motos para delivery crescer mais de 1.500% no Brasil, criando um novo mercado com oportunidades para empresas e investidores.
Aluguel de motos dispara com apps e cria novo mercado no Brasil
Aluguel de motos dispara com apps e cria novo mercado no Brasil. Imagem: Canva

O avanço dos aplicativos de entrega está acelerando um novo mercado no Brasil: o aluguel de motos para delivery. Com a demanda crescente por entregadores e a dificuldade de acesso ao veículo próprio, empresas começam a ocupar esse espaço e transformar a mobilidade urbana em oportunidade de negócio e investimento.

O impacto dessa mudança já aparece nos números. Em cinco anos, a frota de motocicletas destinadas à locação saltou de 7.856 unidades, em 2021, para 130.751 em 2026, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA). O crescimento de mais de 1.500% revela uma transformação estrutural no setor.

Na prática, esse movimento acompanha a expansão da chamada gig economy, modelo baseado em trabalhos sob demanda, como entregas por aplicativos. À medida que mais pessoas entram nesse tipo de atividade, aumenta também a necessidade de acesso rápido e flexível a veículos.

Esse cenário cria um efeito direto: quem não tem moto própria passa a buscar alternativas de locação, enquanto investidores enxergam uma nova frente de geração de renda.

Demanda por delivery muda o mercado de mobilidade

O crescimento do aluguel de motos para delivery não acontece por acaso. Ele responde a um gargalo claro: a entrada no trabalho por aplicativos exige um ativo, a motocicleta, que nem todos conseguem comprar.

Com crédito restrito e custos elevados, muitos trabalhadores optam pelo aluguel como forma de começar a gerar renda imediatamente. Isso reduz a barreira de entrada e amplia o número de pessoas aptas a atuar como entregadores.

Ao mesmo tempo, esse modelo cria uma cadeia econômica própria. Empresas passam a estruturar operações focadas exclusivamente nesse público, com contratos flexíveis, manutenção incluída e gestão digital da frota.

Empresas aceleram para ocupar espaço ainda pouco explorado

É nesse contexto que surgem modelos como o da Byker, startup criada em 2025. A empresa aposta em uma estrutura digital para conectar investidores à demanda crescente por motos no delivery.

Hoje, cerca de 70% dos clientes da companhia são motoboys, o que mostra como o negócio está diretamente ligado ao avanço dos aplicativos. A escolha por modelos como a Honda CG 160 segue essa lógica, priorizando durabilidade e menor custo de manutenção.

Além disso, o modelo elimina a necessidade de operação física. A gestão das motos, contratos e pagamentos ocorre por sistema próprio, o que reduz custos e permite expansão mais rápida.

Atualmente, a empresa conta com 35 motos em operação e três franqueados no Rio de Janeiro, mas já projeta crescer de forma acelerada nos próximos meses.

Crescimento abre novas oportunidades de investimento

O avanço do aluguel de motos para delivery também chama a atenção de investidores. O modelo permite entrada com valores relativamente mais baixos em comparação a outros negócios, a partir de cerca de R$ 79 mil para pequenas frotas.

A lógica é simples: quanto mais motos em operação, maior o potencial de geração de receita mensal. Segundo a empresa, operações maiores podem ultrapassar R$ 10 mil por mês, com retorno do investimento estimado entre 14 e 19 meses. Esse formato ganha força porque combina dois fatores relevantes: demanda crescente e previsibilidade de uso. Diferente de outros ativos, as motos tendem a permanecer rodando continuamente, já que são ferramentas de trabalho.

Expansão acompanha ritmo da nova economia

Com o mercado em expansão, a expectativa é de crescimento acelerado nos próximos anos. A Byker, por exemplo, projeta alcançar 300 motos no Rio de Janeiro ainda em 2026 e iniciar operações em São Paulo com até 150 unidades. No médio prazo, a meta é ainda mais ambiciosa: chegar a 1.000 motos no mercado fluminense e 3.000 no paulista até 2027.

Esse avanço reflete uma mudança mais ampla. A mobilidade deixa de ser apenas consumo e passa a ser infraestrutura de trabalho dentro da economia digital. O efeito é direto: o crescimento dos aplicativos não impacta apenas quem entrega, mas também cria novas formas de investir, gerar renda e participar de um mercado que segue em expansão no Brasil.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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