O avanço da PEC do fim da escala 6×1 passou a preocupar grandes empresas do comércio diante do risco de aumento dos custos trabalhistas e pressão sobre os preços. O empresário Flávio Rocha, dono da Riachuelo, afirmou que a proposta pode elevar a inflação e reduzir empregos no varejo.
Segundo ele, o impacto geral estimado chega a 13%, mas pode alcançar entre 18% e 20% no varejo, setor mais dependente de mão de obra. A discussão ganhou força porque o Congresso pretende acelerar a votação da proposta já nos próximos dias.
O temor aumentou porque supermercados, farmácias, lojas de roupas, restaurantes e serviços operam com grande volume de funcionários e margens mais apertadas. Empresas do setor avaliam que parte do aumento de custos pode chegar rapidamente ao consumidor.
Por que o varejo teme alta de preços com o fim da escala 6×1
Flávio Rocha afirmou que empresas terão dificuldade para absorver o aumento de despesas sem reajustar preços. Segundo ele, preservar margens operacionais deve exigir repasses ao consumidor ou redução de contratações.
O empresário destacou que o varejo possui uma das estruturas mais intensivas em mão de obra da economia. Lojas e serviços precisam manter equipes distribuídas ao longo da semana, inclusive em fins de semana e feriados.
Na avaliação do dono da Riachuelo, a proposta pode provocar:
- aumento do custo operacional
- reajuste de produtos e serviços
- redução de empregos
- pressão sobre pequenos varejistas
- fechamento de vagas em setores de serviços
Flávio Rocha afirmou que pequenas e médias empresas podem enfrentar maior dificuldade para suportar custos adicionais. Segundo ele, esses negócios concentram hoje parte relevante da geração de empregos no Brasil.
PEC da escala 6×1 amplia pressão sobre comércio e serviços
O debate sobre a PEC ganhou dimensão econômica porque a mudança afeta diretamente empresas que dependem de operação contínua e presença física de funcionários. O setor passou a discutir impactos sobre escalas, produtividade e capacidade de contratação.
Flávio Rocha afirmou que muitas companhias já adotam modelos mais flexíveis, como a escala 5×2. No entanto, argumentou que transformar essa lógica em regra geral pode atingir setores que precisam funcionar em mais dias da semana.
O empresário citou segmentos considerados mais vulneráveis:
- comércio varejista
- restaurantes
- supermercados
- salões de beleza
- indústrias
- serviços presenciais
Segundo ele, reduzir a jornada sem aumento proporcional de produtividade pode elevar despesas permanentes e pressionar preços em diferentes cadeias de consumo.
O alerta ganhou força porque parte do varejo já enfrenta desaceleração das vendas, aumento dos custos operacionais e competição mais agressiva no comércio digital. Isso reduz espaço para absorção de novas despesas trabalhistas.
Congresso acelera votação da redução da jornada de trabalho
O relatório final da PEC deve ser apresentado pelo deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) na próxima segunda-feira (25). Se o texto for protocolado na data prevista, a Comissão Especial da Câmara deve votar o parecer na terça-feira (26), antes da análise em plenário na quarta-feira (27).
A velocidade da tramitação elevou a tensão entre governo, empresários e parlamentares ligados ao setor produtivo. O tema passou a ocupar o centro do debate econômico porque envolve emprego, inflação e custo operacional das empresas.
Flávio Rocha, proprietário da Riachuelo afirmou considerar legítima a discussão sobre qualidade de vida e tempo com a família. Ainda assim, avaliou que o debate ocorre sob forte pressão política e eleitoral, o que pode reduzir o foco sobre os impactos econômicos da proposta.
O avanço da discussão também ampliou o debate sobre produtividade no Brasil. Parte do setor empresarial defende que mudanças na jornada sejam acompanhadas de modernização operacional, ganhos de eficiência e revisão de custos para evitar inflação persistente e perda de competitividade.
Dentro do varejo, cresce a avaliação de que o fim da escala 6×1 pode acelerar reajustes de preços em produtos e serviços caso empresas precisem compensar o aumento dos custos trabalhistas nos próximos anos.





