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Produção de petróleo na América Latina: veja ranking dos países liderado pelo Brasil

A produção de petróleo na América Latina cresceu 20% em 2025, com liderança do Brasil e avanço da China como principal compradora das exportações regionais.
Imagem de uma plataforma de petróleo para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Petróleo da América Latina.
Brasil lidera petróleo latino enquanto China amplia influência global. (Imagem: Zach Theo/Unsplash)

A produção de petróleo na América Latina passou a reposicionar o Brasil no centro da disputa energética global entre China e Estados Unidos. O avanço da produção regional e o aumento das exportações para mercados asiáticos mudaram o equilíbrio comercial da região e ampliaram o peso estratégico do pré-sal brasileiro.

Dados da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde) mostram que a região respondeu por 11% da produção mundial de petróleo em 2025. O Brasil manteve a liderança continental com 3,77 milhões de barris por dia, enquanto a China se consolidou como principal destino das exportações latino-americanas.

O movimento aumenta a relevância geopolítica da região num momento em que grandes potências disputam segurança energética, influência comercial e acesso a fornecedores estratégicos.

A combinação entre expansão da Guiana, avanço do pré-sal brasileiro e aumento da demanda asiática passou a transformar a América Latina em uma das áreas mais importantes do mercado global de energia.

China amplia influência sobre exportações de petróleo da América Latina

A Olacde aponta que 46% da produção regional de petróleo foi destinada à exportação em 2025. A China concentrou sozinha 31% das compras externas do petróleo latino-americano.

Os Estados Unidos ficaram com 18% das importações, enquanto a União Europeia respondeu por 15%.

O avanço chinês altera o eixo comercial energético da região porque reduz a dependência histórica do mercado americano e aumenta a aproximação entre produtores latino-americanos e economias asiáticas.

A mudança acontece em meio à estratégia chinesa de ampliar a segurança energética diante das tensões comerciais globais e da disputa crescente por fornecedores de petróleo fora do Oriente Médio.

Entre os fatores que aceleraram essa aproximação estão:

  • aumento da demanda chinesa por energia;
  • expansão das exportações brasileiras;
  • crescimento acelerado da Guiana;
  • necessidade chinesa de diversificar fornecedores;
  • avanço da infraestrutura marítima para exportação.

A própria Olacde destacou que o padrão comercial mostra uma “crescente vinculação da América Latina e do Caribe com os mercados asiáticos”.

Brasil mantém liderança regional sustentado pelo pré-sal

O relatório confirma que o Brasil continua como principal potência petrolífera regional graças à expansão da produção em áreas do pré-sal.

Os sete maiores produtores concentraram 87% da produção de petróleo da América Latina:

  • Brasil: 3,77 milhões de barris/dia;
  • México: 1,67 milhão;
  • Venezuela: 1,08 milhão;
  • Guiana: 900 mil;
  • Argentina: 878,8 mil;
  • Colômbia: 746 mil;
  • Equador: 439,7 mil.

A liderança brasileira ganhou ainda mais relevância porque acontece em meio à desaceleração de produtores tradicionais da região, principalmente México e Venezuela.

Ao mesmo tempo, a Guiana passou a funcionar como novo polo de crescimento energético. O país praticamente saiu do zero para se aproximar dos maiores produtores regionais após descobertas relevantes de reservas offshore.

A expansão da produção de petróleo na América Latina também aumenta o peso do Brasil nas negociações internacionais sobre energia, comércio exterior e investimentos em infraestrutura energética.

Dependência do gás dos EUA expõe fragilidade regional

Enquanto o petróleo fortalece relações com a Ásia, o mercado regional de gás natural continua altamente dependente dos Estados Unidos.

Segundo a Olacde, os americanos responderam por 59% das importações de gás natural da região, principalmente pelo abastecimento do México.

A produção regional de gás cresceu 10% em 2025, liderada por Argentina e México. Mesmo assim, a dependência externa continua elevada.

O relatório mostra dois movimentos simultâneos:

  • exportações de petróleo migrando para Ásia e Oriente Médio;
  • dependência estrutural do gás americano;
  • avanço do GNL regional;
  • crescimento das exportações brasileiras de gás;
  • maior pressão por segurança energética.

Nas exportações regionais de gás natural, 39% tiveram como destino a Turquia, principalmente a partir do Brasil. Outros 24% seguiram para mercados asiáticos.

Trinidad e Tobago também apareceu como fornecedor estratégico de gás natural liquefeito (GNL) dentro da própria América Latina.

Petróleo continua estratégico apesar do avanço das renováveis

Mesmo com a expansão da eletrificação e das energias renováveis, a Olacde avalia que petróleo e gás continuarão estratégicos para a matriz energética regional nas próximas décadas.

O cenário reforça uma transformação importante no setor energético latino-americano. A região passou a atuar simultaneamente como fornecedora estratégica da Ásia e como mercado dependente da infraestrutura energética americana.

Essa combinação aumenta a importância geopolítica do continente e amplia o peso do Brasil dentro das disputas globais por energia, comércio e influência internacional.

A tendência é que a produção de petróleo na América Latina continue atraindo investimentos, disputas comerciais e acordos estratégicos entre grandes potências nos próximos anos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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