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Aluguel de carros pelo WhatsApp amplia vendas da Movida e acelera disputa pelos canais de locação

A Movida quer transformar o WhatsApp em um dos seus principais canais de vendas. Entenda por que a estratégia pode mudar a forma como as locadoras disputam clientes no Brasil.
Fachada de uma unidade da Movida, empresa de locação de veículos, em imagem relacionada ao avanço do aluguel de carros pelo WhatsApp com uso de inteligência artificial em parceria com a Meta.
Movida projeta triplicar a receita gerada pelo WhatsApp e espera alcançar R$ 300 milhões em faturamento com locações realizadas pelo aplicativo. (Foto: Divulgação/Movida)

A disputa entre locadoras começa a migrar para um território diferente do tradicional site de reservas. O aluguel de carros pelo WhatsApp passou a ocupar posição central na estratégia da Movida, que pretende triplicar a receita gerada pelo aplicativo até o fim de 2026.

A companhia projeta faturar R$ 300 milhões no canal após desenvolver, em parceria com a Meta, um agente de inteligência artificial capaz de conduzir toda a jornada de locação dentro da conversa.

O movimento chama atenção porque a mudança não está apenas na tecnologia. O objetivo é transformar um canal historicamente associado ao atendimento em uma ferramenta direta de vendas.

Hoje, portanto, a principal disputa deixa de ser apenas por frota, preço ou localização das lojas. A velocidade para converter intenção em reserva passa a ganhar peso crescente.

Aluguel de carros pelo WhatsApp reduz etapas da contratação

A nova ferramenta de IA desenvolvida em parceria com a Meta permite que o cliente realize praticamente toda a locação sem sair da conversa.

Entre as funções disponíveis estão:

  • consulta de veículos;
  • escolha da categoria;
  • definição do período;
  • visualização de preços;
  • conclusão da reserva.

Segundo a Movida, 85% das interações já foram resolvidas dentro do próprio aplicativo nas primeiras semanas de operação. As conversões dobraram no período inicial de uso da tecnologia.

O resultado ajuda a explicar por que o WhatsApp passou a ser tratado como um canal comercial estratégico, inclusive para o aluguel de carros.

Em muitos setores, consumidores iniciam a busca por produtos ou serviços em sites e aplicativos próprios das empresas. A Movida aposta em uma lógica diferente: levar a venda para o ambiente onde a conversa já acontece.

Canal de vendas pode valer mais do que a tecnologia

A cobertura inicial concentrou atenção na inteligência artificial e no caráter inédito da parceria com a Meta.

O ponto mais relevante para o negócio, no entanto, pode estar em outro lugar. O mercado de locação possui pouca diferenciação entre os veículos oferecidos pelas grandes empresas. Nessa realidade, o processo de compra ganha importância semelhante ao produto.

Quanto menos etapas existirem entre o interesse e a reserva, maior tende a ser a conversão. Os indicadores divulgados pela companhia sugerem essa direção:

  • Duas vezes mais conversões quando o aluguel de carros é feito pelo WhatsApp;
  • Ticket médio 6% superior;
  • Maior resolução sem intervenção humana;
  • Menor dependência de canais tradicionais.

A consequência aparece na rentabilidade. Um cliente que conclui toda a contratação em uma única conversa tende a abandonar menos o processo. Isso reduz perdas durante a jornada comercial e aumenta a eficiência da operação.

WhatsApp pode ganhar espaço para além de um canal de relacionamento

A projeção de receita mostra que a empresa espera uma mudança estrutural, não apenas um teste tecnológico.

O avanço ocorre em um momento em que a companhia busca elevar eficiência operacional e ampliar a geração de receita sem depender exclusivamente da expansão da frota. A locadora vem registrando melhora de resultados e crescimento das operações de aluguel nos últimos trimestres.

A estratégia também serve como teste para um modelo que pode se espalhar por outros segmentos. Se o consumidor passar a reservar carros, contratar serviços e concluir pagamentos diretamente em conversas automatizadas, o WhatsApp deixa de ser apenas um canal de relacionamento.

Nesse cenário, o aluguel de carros pelo WhatsApp passa a representar a transformação de aplicativos de mensagem em plataformas completas de vendas. E a Movida certamente vê o potencial da plataforma para alterar a forma como empresas disputam clientes e receita nos próximos anos.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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