A recuperação dos ativos do Banco Master nas Bahamas ganhou um novo impulso após a Justiça do país reconhecer a liquidação de instituições ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro. A decisão permite que a liquidante indicada pelo Banco Central passe a atuar diretamente na jurisdição caribenha para localizar e preservar patrimônio potencialmente vinculado às empresas investigadas.
O movimento amplia o alcance da liquidação realizada em novembro de 2025 pelo Banco Central para além das fronteiras brasileiras e leva a disputa para um ambiente conhecido pela presença de fundos, holdings e estruturas offshore utilizadas por investidores e empresas de diferentes partes do mundo.
A medida também aumenta a capacidade de obtenção de documentos, informações societárias e registros financeiros que antes dependiam de procedimentos mais lentos de cooperação internacional.
Por que as Bahamas aparecem na investigação
Como uma ilha localizada no Oceano Atlântico, ao norte de Cuba e a sudeste da costa da Flórida, as Bahamas ocupam posição relevante na indústria global de serviços financeiros internacionais. O país abriga centenas de fundos de investimento, veículos patrimoniais e empresas registradas por investidores estrangeiros.
A ação da liquidante alcança nove fundos e companhias registradas na jurisdição envolvendo o Banco Master nas Bahamas, entre eles:
- Liquidity Strategies Fund Ltd.;
- Phoenix Multimarket Fund Ltd.;
- Faex Fund Ltd.;
- PMLS Ltd.;
- Octa Investments Ltd.;
- Sunshine Company Ltd.;
- Golden Star Investment Fund Ltd.;
- Artress Ltd.;
- Mosaic Financial Ltd.
A relevância dessas estruturas não está apenas nos ativos eventualmente existentes. O principal objetivo é compreender como os ativos circularam entre as empresas do grupo Banco Master e identificar patrimônios que possam ser alcançados pelo processo de liquidação em Bahamas
O caso mostra uma característica comum em disputas patrimoniais complexas: quando parte das operações ocorre fora do país de origem, a recuperação de bens passa a depender do reconhecimento das autoridades locais.
O que muda com o reconhecimento da liquidação no exterior
A decisão da Justiça das Bahamas envolvendo os ativos do Banco Master produz um efeito prático importante. A representante da liquidação passa a atuar formalmente no país em nome das instituições financeiras envolvidas.
Entre as medidas autorizadas estão:
- busca de ativos;
- obtenção de informações financeiras;
- rastreamento de operações;
- preservação de patrimônio;
- contestação de movimentações consideradas irregulares.
Sem esse reconhecimento, qualquer tentativa de localizar recursos dependeria de procedimentos mais restritos e demorados.
O entendimento do tribunal também cria um precedente relevante ao reconhecer que a liquidação conduzida pelo Banco Central brasileiro possui características equivalentes às exigidas pela legislação local para processos de insolvência transfronteiriça.
Fundos internacionais ampliam dúvidas sobre o patrimônio do grupo
A discussão sobre os ativos do Banco Master nas Bahamas ocorre em paralelo às investigações envolvendo fundos apresentados ao Banco de Brasília (BRB) durante negociações relacionadas à substituição de ativos problemáticos.
Segundo informações já divulgadas, diligências realizadas pelo banco identificaram inconsistências em fundos localizados tanto nas Bahamas quanto na Ilha de Jersey.
As apurações indicaram dificuldades para comprovar a existência dos ativos que teriam sido vinculados às estruturas financeiras apresentadas durante as negociações.
Esse contexto ajuda a explicar por que a busca patrimonial ganhou prioridade na liquidação. Antes mesmo da identificação de valores, o desafio passa a ser confirmar a existência, a localização e a titularidade dos bens ligados ao grupo.
A disputa deixa de envolver apenas a administração da massa liquidanda e passa a tratar da reconstrução do caminho percorrido pelos recursos. Quanto mais internacionalizada a estrutura patrimonial, maior tende a ser a complexidade desse processo.
A partir da decisão judicial, os ativos do Banco Master nas Bahamas tornam-se uma das frentes mais relevantes para medir o alcance da recuperação patrimonial e a capacidade das autoridades de localizar recursos fora da jurisdição brasileira.





