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Banco de Brasília diz ter saída após ser a instituição financeira mais afetada no caso Master

O Banco de Brasília afirma ter condições de superar perdas ligadas ao Banco Master. O plano inclui empréstimo bilionário e medidas para evitar uma liquidação.
Imagem da fachada do Banco de Brasília para ilustrar uma matéria jornalística envolvendo o Banco Master.
Banco de Brasília apresenta plano para superar perdas do caso Master. (Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil)

O caso do Banco Master entrou em uma nova etapa após o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmar ao Senado que a instituição tem condições de permanecer operando mesmo diante das perdas bilionárias associadas às fraudes investigadas no banco privado. A declaração ocorre em um momento decisivo para o futuro da instituição financeira controlada pelo Distrito Federal.

A discussão deixou de ser apenas sobre o tamanho do prejuízo. A questão agora é saber se o BRB conseguirá executar um plano capaz de absorver as perdas, preservar suas operações e evitar uma liquidação que teria efeitos sobre a economia de Brasília.

Segundo Souza, o banco não corre risco de encerramento das atividades. A administração sustenta que existe uma estratégia financeira para recompor o patrimônio e restaurar a capacidade de geração de lucro da instituição.

Como o Banco de Brasília pretende evitar uma liquidação

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Nelson Antônio de Souza declarou que o BRB foi a instituição mais prejudicada pelo esquema investigado envolvendo o Banco Master.

O executivo afirmou que a atual gestão assumiu justamente para impedir que o banco chegasse a uma situação de insolvência.

A principal medida prevista envolve a constituição de provisões estimadas em R$ 8,8 bilhões, valor necessário para absorver os efeitos das operações questionadas.

O plano inclui:

  • R$ 6,6 bilhões em empréstimo solicitado ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
  • securitização de ativos vinculados ao Distrito Federal;
  • reforço dos indicadores de capital;
  • reorganização financeira da instituição.

A direção do banco argumenta que essas medidas permitem manter o funcionamento da instituição enquanto ocorre o processo de recomposição patrimonial.

Por que a crise do banco preocupa Brasília

A relevância do caso ultrapassa os limites do sistema financeiro.

Segundo o presidente da instituição, o BRB responde por cerca de 64% do mercado bancário de Brasília e possui uma carteira próxima de R$ 15 bilhões na capital federal.

Essa presença alcança diversas áreas da economia local:

  • crédito para famílias;
  • financiamento empresarial;
  • operações ligadas ao setor público;
  • serviços financeiros utilizados por servidores.

Por essa razão, uma eventual deterioração da situação financeira do banco poderia produzir efeitos que vão além dos acionistas e da própria instituição.

O argumento da direção é que a manutenção das atividades do BRB interessa à economia regional devido à participação que o banco possui em operações de crédito e serviços financeiros.

O empréstimo do FGC será suficiente?

A viabilidade do plano depende da obtenção dos recursos necessários para executar a reestruturação.

Nelson Antônio de Souza reconheceu que os termos finais do financiamento ainda podem sofrer alterações, uma vez que a definição das condições depende dos agentes responsáveis pela operação.

Entre os pontos ainda sujeitos a definição estão:

  • prazo total de pagamento;
  • período de carência;
  • custo do financiamento;
  • exigências adicionais para liberação dos recursos.

A administração do banco avalia que a carência terá papel decisivo para permitir a reorganização financeira antes do início dos pagamentos.

Segundo Souza, a expectativa é que o BRB registre lucro superior a R$ 1 bilhão quando começar a amortizar o empréstimo, previsto para os próximos anos.

O que será observado daqui para frente

O foco das investigações continuará concentrado nas fraudes associadas ao Banco Master. Paralelamente, o mercado acompanhará a execução do plano de recuperação apresentado pelo Banco de Brasília.

A capacidade de captar recursos, recompor o patrimônio e retomar a rentabilidade será determinante para validar as projeções feitas pela administração.

Neste momento, a principal questão deixou de ser apenas o tamanho das perdas. O teste agora será verificar se o plano apresentado pela direção conseguirá transformar o episódio mais grave da história recente do banco em uma recuperação financeira sustentável.

O caso passou a ser acompanhado não apenas pelas autoridades e investidores, mas também por setores da economia de Brasília que dependem da continuidade das operações da instituição.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.
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