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Heineken acende alerta no setor de cervejas com as demissões em massa

O corte de empregos da Heineken prevê até 6 mil demissões e projeta lucro menor em 2026, em meio à desaceleração do consumo global de cerveja e pressão por eficiência.
Imagens da latinha da Heineken para ilustrar uma matéria jornalística sobre os empregos da Heineken.
(Imagem: Rattakarn/Pixabay)

O corte de empregos da Heineken foi anunciado nesta quarta-feira (11) com previsão de eliminação de até 6 mil postos em dois anos, quase 7% do quadro global de 87 mil funcionários. A decisão vem acompanhada de uma projeção mais modesta para o crescimento do lucro em 2026, entre 2% e 6%, abaixo da faixa estimada para 2025.

Além disso, a fabricante de marcas como Amstel e Tiger busca um novo presidente-executivo após a renúncia de Dolf van den Brink, em janeiro. O ajuste ocorre em meio à demanda fraca por cerveja e à pressão de investidores por maior eficiência operacional.

Corte de empregos da Heineken e o ajuste estrutural

O programa de produtividade prevê economia de custos e reestruturação em áreas como cadeia de suprimentos, sede e unidades regionais. Parte relevante das demissões ocorrerá na Europa e em mercados considerados menos estratégicos, segundo a companhia.

Durante teleconferência de resultados, o diretor financeiro Harold van den Broek afirmou que a medida busca fortalecer as operações e liberar recursos para investir em crescimento. Segundo ele, o objetivo é tornar a empresa mais eficiente diante do ambiente competitivo.

Além do corte de empregos, a Heineken revisou seu guidance. Para 2026, o crescimento do lucro operacional deve ficar entre 2% e 6%, abaixo da projeção de 4% a 8% indicada para 2025.

Desaceleração no setor de cervejas

O cenário setorial ajuda a explicar o plano. O consumo global de cerveja enfrenta pressão com a redução do poder de compra dos consumidores e condições climáticas desfavoráveis em mercados relevantes.

Concorrentes também adotam ajustes. A Carlsberg anunciou cortes e divulgou estimativa de crescimento semelhante para o próximo ano. Outras empresas de bebidas alcoólicas vêm promovendo venda de ativos e redução de produção após anos de desempenho fraco em vendas globais.

Apesar do anúncio, as ações da Heineken subiam cerca de 4% no dia, acumulando alta de aproximadamente 7% desde o fim de 2025. O mercado reagiu positivamente ao foco em eficiência operacional e controle de despesas corporativas.

A nova estratégia da Heineken

Mesmo com as demissões da Heineken, o resultado anual de 2025 superou previsões. O lucro operacional anual avançou 4,4%, acima da expectativa média de analistas, que era de 4%.

A combinação de reestruturação, revisão de metas e troca de liderança indica uma mudança na condução estratégica da segunda maior cervejaria do mundo em valor de mercado. Ao priorizar produtividade, redução de custos e maior disciplina no planejamento financeiro, a empresa tenta responder às críticas de investidores que a consideram menos eficiente que rivais.

O sucesso do corte de empregos da Heineken dependerá, portanto, não apenas da economia prometida, mas da capacidade de recuperar crescimento em um setor pressionado por margens mais estreitas e consumo mais cauteloso.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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