A Mastercard anunciou nesta terça-feira (17/03) a compra da BVNK, uma fintech sediada em Londres que fornece infraestrutura de pagamentos, conectando sistemas bancários tradicionais a redes blockchain, por até US$ 1,8 bilhão. Além do valor bilionário, a compra também inclui US$ 300 milhões condicionados a metas, em uma operação que reposiciona sua atuação no avanço das stablecoins e da infraestrutura de blockchain.
O acordo surge em um momento de reorganização no setor de pagamentos, com grandes empresas buscando integração com ativos digitais. A movimentação também ocorre meses após a BVNK encerrar negociações com a Coinbase, que avaliava uma aquisição próxima de US$ 2 bilhões.
Mastercard compra BVNK e acelera estratégia em cripto
A decisão da Mastercard de comprar a fintech BVNK, em vez de desenvolver tecnologia própria, reflete a busca por velocidade de execução. Segundo Jorn Lambert, diretor de produtos da Mastercard, o tempo necessário para construir essa estrutura internamente seria um fator limitante.
“O valor está em conseguir se conectar aos dois, e fazer essa conexão exige vários intermediários”, afirmou o executivo. Ele acrescenta que a complexidade técnica e o nível de especialização tornam esse tipo de infraestrutura difícil de replicar rapidamente.
Além disso, a Mastercard já vinha ampliando sua presença no setor. No início do mês, a companhia lançou uma rede com mais de 85 parceiros no mercado de criptoativos, voltada à integração entre sistemas financeiros e novas soluções digitais.
Integração entre pagamentos tradicionais e blockchain
O avanço das moedas digitais reforça a decisão da Mastercard de comprar a BVNK. Segundo a própria empresa, esse mercado movimentou ao menos US$ 350 bilhões no último ano, apesar de um cenário pouco estável em 2025, ampliando, assim, a relevância das stablecoins em transações internacionais.
Nesse contexto, a BVNK opera como uma camada intermediária que conecta empresas a redes de blockchain em mais de 130 países. A estrutura permite envio, recebimento e conversão de ativos, além de incorporar processos robustos de compliance regulatório.
Para o CEO da BVNK, Jesse Hemson-Struthers, essa base construída ao longo dos anos viabiliza escala. Segundo ele, a infraestrutura exige tempo para ser desenvolvida, especialmente pela complexidade operacional e regulatória envolvida.
Mastercard compra BVNK e mantém foco no modelo atual
Apesar do avanço em novas tecnologias, a Mastercard não pretende substituir os pagamentos tradicionais. A empresa avalia que os cartões, apesar do avanço do PIX, continuam eficientes no uso cotidiano, especialmente em mercados consolidados.
Essa estratégia indica coexistência entre modelos. De um lado, redes tradicionais com ampla aceitação; de outro, soluções com tokenização, liquidação mais rápida e integração direta com sistemas digitais.
Ao integrar essas estruturas, a companhia amplia sua atuação em diferentes camadas do sistema financeiro. A Mastercard compra BVNK e reforça uma estratégia voltada à conexão entre tecnologias, em um ambiente em que infraestrutura e escala passam a definir a competitividade no setor.





