Os lucro dos planos de saúde somaram R$ 24,4 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesta quarta-feira (18/03). O resultado representa o maior nível da série histórica e ocorre em um cenário marcado por mensalidades em alta e despesas médicas sob controle.
Com receitas de R$ 391,6 bilhões, o setor operou com margem líquida de 6,2%. Na prática, isso significa que, a cada R$ 100 arrecadados, cerca de R$ 6,20 se converteram em ganho. O avanço reflete uma combinação de reajustes acima dos custos assistenciais e receitas financeiras impulsionadas pelo ambiente de juros elevados.
Lucro dos planos de saúde cresce com nova dinâmica de custos
A queda da sinistralidade para 81,7% ajuda a explicar esse desempenho. O indicador mede quanto da receita é consumido por despesas assistenciais, como exames, consultas e internações, e atingiu o menor nível desde 2020.
Segundo a ANS, esse recuo está ligado ao fato de que os reajustes aplicados aos planos superaram a variação dos custos médicos, tendência que vem sendo observada desde 2023. Com isso, as operadoras ampliaram o espaço entre o que arrecadam e o que efetivamente gastam com atendimento.
O efeito aparece com mais força no segmento médico-hospitalar, que concentrou R$ 23,4 bilhões do lucro total dos planos de saúde. O resultado operacional positivo de R$ 9,8 bilhões indica melhora consistente na operação, especialmente entre medicinas de grupo e seguradoras especializadas.
Ganhos se concentram e ampliam distância entre operadoras
Apesar da melhora disseminada, o resultado não foi uniforme. Três grandes operadoras responderam por 49% de todo o lucro do setor de planos de saúde, reforçando a concentração em empresas de maior escala.
As companhias de grande porte mais que dobraram seus resultados, alcançando R$ 19,9 bilhões, enquanto operadoras médias também avançaram, com lucro de R$ 2,8 bilhões. Ao mesmo tempo, 73,5% das empresas terminaram o ano no azul, totalizando 731 operadoras com resultado positivo.
Além da operação, o ambiente de juros elevados teve papel relevante. As operadoras encerraram 2025 com R$ 134,5 bilhões em aplicações financeiras, que geraram R$ 14,7 bilhões em ganhos e reforçaram o desempenho consolidado.
Lucro dos planos de saúde expõe diferenças dentro do próprio setor
Porém, nem todos os modelos acompanharam esse avanço. As operadoras de autogestão ampliaram o prejuízo operacional para R$ 3,1 bilhões, alta de 45,5%, embora o número de entidades deficitárias tenha diminuído.
Os dados do Atlas Econômico-Financeiro da ANS mostram também mudanças na estrutura concorrencial. Nos planos coletivos empresariais, houve redução da concentração, com mais mercados classificados como competitivos. Já nos planos individuais e familiares, o caminho foi oposto, com avanço da concentração ao longo dos anos.
Para Jorge Aquino, diretor da ANS, os números “confirmam a melhora do desempenho do setor” e indicam a necessidade de monitoramento contínuo. Nesse cenário, o lucro dos planos de saúde passa a refletir uma equação mais ampla, que combina reajustes, escala operacional e receitas financeiras em um mercado que segue heterogêneo e cada vez mais concentrado.





