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Ceará lidera produção de calçados no Brasil, mas modelo industrial concentra risco em Sobral

A produção de calçados no Ceará atingiu 206,8 milhões de pares e consolidou o Estado como maior fabricante do Brasil. Sobral concentra quase 60% da produção estadual e sustenta o avanço industrial cearense.
Produção de calçados no Ceará concentra fabricação em polos industriais do interior, com destaque para Sobral.
Sobral concentra quase 60% da produção de calçados no Ceará e sustenta liderança nacional do setor. (Foto: Reprodução/Governo do Estado do Ceará)

A produção de calçados no Ceará atingiu 206,8 milhões de pares no último ano e consolidou o Estado como maior fabricante do setor no Brasil. O volume também colocou o Ceará na liderança nacional das exportações, com 32,6 milhões de pares enviados ao mercado internacional.

Hoje, praticamente um em cada quatro pares produzidos no Brasil sai de fábricas instaladas no Ceará. Os dados do Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), mostram uma mudança estrutural no mapa industrial do setor.

O avanço cearense ocorre enquanto o Nordeste amplia espaço dentro da indústria nacional e estados tradicionais, como Rio Grande do Sul, perdem participação relativa na produção.

Apesar dos bons números, a liderança, porém, passou a depender fortemente de poucos polos industriais concentrados no interior cearense.

Sobral concentra força da produção de calçados no Ceará

A liderança cearense depende diretamente da concentração produtiva em poucos polos. Sobral sozinho respondeu por 123,8 milhões de pares, o equivalente a 59,8% de toda a fabricação estadual.

Os quatro polos que sustentam praticamente toda a indústria local são:

  • Sobral: 123,8 milhões de pares
  • Fortaleza: 14,8% da produção estadual
  • Quixadá: 11,5%
  • Juazeiro do Norte: 10,3%

Sobral abriga operações da Grendene e se consolidou como principal centro produtor de calçados do país. A concentração acelerou ganhos industriais e fortaleceu economias regionais do interior. Ao mesmo tempo, ampliou a dependência do setor em torno de poucas cidades e grandes fábricas.

O Ceará ultrapassou o Rio Grande do Sul, antigo líder nacional, e abriu vantagem relevante sobre Minas Gerais dentro de um mercado que produziu 847,5 milhões de pares em 2025.

Exportações e empregos ampliam peso do setor no Ceará

Para além da produção de calçados, as exportações do Ceará cresceram 8% frente ao ano anterior e colocaram o Estado ligeiramente à frente do Rio Grande do Sul em volume embarcado.

O ranking nacional de exportações mostra uma disputa cada vez mais apertada entre os principais polos industriais do setor:

  • Ceará: 32,6 milhões de pares
  • Rio Grande do Sul: 32 milhões
  • Paraíba: 15,9 milhões
  • Minas Gerais: 7,7 milhões
  • São Paulo: 6,7 milhões

O desempenho reforça uma mudança gradual no mapa industrial brasileiro. A indústria calçadista deixou de ficar concentrada no Sul e passou a depender mais da capacidade produtiva nordestina.

O setor também ampliou peso no mercado de trabalho. O Ceará encerrou 2025 com 66,6 mil empregos formais na indústria calçadista, atrás apenas do Rio Grande do Sul.

Entre os municípios que mais empregam no setor no país, três cidades cearenses aparecem em destaque:

  • Horizonte: 14,4 mil vagas
  • Sobral: 10,5 mil
  • Quixeramobim: 6,4 mil

Liderança industrial aumenta exposição do Ceará ao setor

O crescimento da produção de calçados no Ceará fortaleceu economias do interior e ampliou a participação do Ceará dentro da manufatura nacional. O avanço também elevou a dependência regional em torno de um segmento altamente sensível ao consumo, ao câmbio e à concorrência internacional.

A pressão de fabricantes asiáticos sobre preços e margens segue como um dos principais desafios da indústria brasileira. Nesse cenário, manter competitividade passou a ser tão importante quanto preservar a escala produtiva que levou o Ceará ao topo nacional do setor.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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