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Transgressão na empresa familiar: A descoberta – Por Aletéia Lopes

Especialista em Gestão de empresa familiar herdeiros

*Coluna por Aletéia Lopes, 24/01/2022

Existe uma grande dificuldade de se admitir que dentro de uma empresa familiar, principalmente em cargos de confiança é possível existir um transgressor, alguém com uma má conduta, que pode chegar a ter uma postura realmente tóxica e maquiavélica. Mais complicado ainda, se esse transgressor for um executivo familiar, pois, sem dúvida, este é um dos maiores sofrimentos que uma família empresária pode vivenciar, afinal é muito difícil admitir que dentre seus entes queridos, existe alguém com sérios desvios de conduta.

Inicialmente, os pais acreditam que seu filho agiu simplesmente com “irresponsabilidade”, porque “é o jeito dele”, ou até mesmo porque “é muito inexperiente”. A questão é que em muitos casos, é visível que o problema é bem mais complexo que meramente uma fase intempestiva.

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Geralmente, para tentar negar essa verdade, a família empresária acaba culpando fatores externos ou arranjando qualquer motivo que justifique as transgressões desse herdeiro e reluta em reconhecer que ele representa de fato um transtorno para os negócios familiares porque isso se torna muito mais visível do que eles conseguem suportar.

Obviamente, não podemos julgar uma família empresária que tem esse tipo de reação diante de um herdeiro transgressor, porque quando os vínculos afetivos estão envolvidos muitas questões se entrelaçam. E todo esse cenário gera muito sofrimento, principalmente quando os pais tentam justificar as atitudes transgressoras dos filhos com algum fator de responsabilidade e culpabilidade deles próprios.

Dessa forma a atitude não é reconhecida como uma má conduta. E isso é péssimo, porque começa a causar muito sofrimento a toda a família. Uma situação que se agrava ainda mais quando o filho transgressor faz uso da culpabilidade dos pais para tentar fugir de sua própria responsabilidade e seguir com sua má conduta sem maiores consequências para si mesmo.

Então, na mente dele, o culpado é sempre outra pessoa, enquanto na verdade é ele que tem essas intenções ruins, sem qualquer demonstração de empatia e sendo capaz até mesmo de prejudicar a própria família para alimentar seu ego.

O primeiro passo para tratar uma situação como essa é a família reconhecer o caráter do transgressor – o que implica em não se conformar com ele. Pelo contrário, esse é o início de um processo que vai comunicar a esse herdeiro que suas atitudes não são corretas, ou seja, a família deve ter consciência de que o seu ente querido é um transgressor.

Após assumir que a existência do problema é um fato irrefutável, a família empresária deve entender a importância de estabelecer limites – o que possivelmente não mude a postura desse herdeiro problemático, no entanto, não deve deixar de adotar essas medidas, porque elas podem amenizar os danos causados por suas transgressões na empresa e na família.

É preciso também que essa família entenda que o estabelecimento desses limites não implica na decisão de desamparar esse filho transgressor, deixar de amá-lo e muito menos agredi-lo de alguma forma. Pelo contrário, essas novas regras são uma das maiores provas de amor que esse herdeiro verá por parte de seus pais em sua vida.

Porém, o processo não será fácil, é algo muito complexo, pois se refere a uma mente talentosíssima, que se ocupa em tramar desvios de milhares e até milhões de reais da empresa, por uma motivação que vai muito além de simplesmente amor ao dinheiro e ao poder. Em muitos casos, essa conduta é motivada, muito mais pelo prazer em saber que está fazendo algo contrário às regras, que prejudique um sistema.

Então, para que esse novo sistema de controle da transgressão seja eficaz, os familiares precisam sempre ter em mente que um transgressor é também um manipulador e vai encontrar uma maneira de quebrar, burlar, conseguir novas formas de transgredir. Para isso, ele será capaz de tudo, até subornar ou chantagear alguém para conseguir as informações necessárias. Tais estratégias de manipulação podem ser usadas por ele sobre qualquer pessoa que tenha alguma “utilidade” em seu caminho, rumo ao seu objetivo. Porém, obviamente, suas principais “vítimas” acabam sendo as pessoas que estão próximas com mais frequência: seus familiares.

Assim, aos poucos com a tomada de consciência e a estruturação de limites e regras todas as transgressões vão se revelando, todo o cenário antes disfarçado pelo manipulador vai sendo aos poucos revelado.

*Aletéia Lopes é escritora e diretora da HerdArs com experiência em projetos de governança para Famílias Empresárias e formação de Herdeiros/Sucessores. Mentora estratégica de executivos familiares e mediadora de conflitos. Graduada em Serviço Social, com formação em Mentoring, Coaching, Constelação Sistêmica e Terapia Familiar. Membro do Instituto Brasileiro de Governança corporativa – IBGC/Ce. Diretora de Governança da Câmara de Comércio e Indústria Brasil e Alemanha no Ceará – CCIBAC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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