A recuperação da Victoria’s Secret entrou em uma nova fase após a varejista registrar resultados acima das expectativas e elevar suas projeções para o restante do ano. O desempenho chamou atenção porque ocorreu em um momento em que muitos varejistas ainda enfrentam dificuldades para estimular o consumo sem recorrer a descontos agressivos.
Mais do que o avanço do lucro, os números indicam que a companhia está conseguindo recuperar relevância junto aos consumidores, ampliar participação de mercado e melhorar a rentabilidade ao mesmo tempo. Essa combinação ajuda a explicar por que as ações chegaram a disparar cerca de 40% no pré-mercado.
O resultado também oferece um sinal importante para investidores: a estratégia de reposicionamento liderada pela CEO Hillary Super começa a produzir efeitos concretos após anos de perda de espaço para concorrentes mais ágeis.
Por que a Victoria’s Secret voltou a crescer
O principal diferencial do trimestre foi a capacidade da empresa de vender mais produtos sem ampliar promoções.
Historicamente, redes de vestuário recorrem a descontos para estimular a demanda em períodos de consumo mais fraco. A Victoria’s Secret seguiu o caminho oposto.
Segundo a companhia:
- As promoções foram reduzidas significativamente;
- As vendas continuaram avançando;
- A participação de mercado aumentou;
- O público jovem voltou a comprar mais.
Esse comportamento sugere uma melhora na percepção da marca e maior disposição dos consumidores para pagar preço cheio pelos produtos.
A estratégia também ajudou a preservar margens e impulsionar a rentabilidade.
Categoria de sutiãs voltou a ser o motor do negócio
Uma das prioridades da gestão foi fortalecer a categoria considerada mais importante para a companhia. O crescimento comparável dos sutiãs registrou avanço de dois dígitos durante o trimestre, segundo a empresa.
O desempenho tem importância estratégica porque os sutiãs funcionam como porta de entrada para o relacionamento com a cliente.
Quando essa categoria cresce, a empresa tende a aumentar:
- Frequência de compra;
- Fidelização;
- Venda de produtos complementares;
- Valor gasto por cliente.
A recuperação desse segmento ajuda a explicar por que a Victoria’s Secret conseguiu expandir receitas sem depender de campanhas promocionais intensas.
Lucro e vendas superaram as expectativas do mercado
Os resultados financeiros confirmaram que a melhora operacional começou a aparecer nos números.
A companhia registrou receita de US$ 1,56 bilhão, acima da expectativa de US$ 1,52 bilhão.
Os principais indicadores ficaram assim:
- Lucro ajustado por ação: US$ 0,60
- Expectativa do mercado: US$ 0,30
- Receita: US$ 1,56 bilhão
- Projeção dos analistas: US$ 1,52 bilhão
- Crescimento das vendas: aproximadamente 15%
- Vendas comparáveis: 13%
O lucro líquido alcançou US$ 47,7 milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior.
Os resultados mostram que o crescimento não foi sustentado apenas pelo aumento das vendas, mas também por ganhos de eficiência operacional.
Projeções maiores indicam confiança na segunda metade do ano
O aspecto que mais reforçou a percepção positiva dos investidores foi a revisão das projeções.
A empresa agora espera vendas anuais entre US$ 7,03 bilhões e US$ 7,13 bilhões, acima da previsão anterior.
A expectativa de lucro operacional ajustado também avançou de forma relevante.
A nova projeção passou para:
- US$ 550 milhões a US$ 580 milhões
Anteriormente, a faixa estimada era de:
- US$ 430 milhões a US$ 460 milhões
Segundo a companhia, a revisão reflete o desempenho acima do esperado no primeiro trimestre, o ritmo observado no início do segundo trimestre e a confiança nos lançamentos previstos para os próximos meses.
O cenário também foi beneficiado pela redução dos custos tarifários após parte das tarifas impostas pelo governo Donald Trump ter sido considerada ilegal.
O que mudou na estratégia da Victoria’s Secret
Nos últimos anos, a empresa enfrentou uma combinação difícil de desafios.
A marca perdeu espaço para concorrentes especializados, sofreu com mudanças nos padrões de consumo e enfrentou críticas relacionadas à sua imagem.
A atual gestão decidiu concentrar esforços em áreas consideradas essenciais para reconstruir o negócio.
Entre as prioridades estão:
- Reforço da identidade da marca;
- Expansão da divisão de beleza;
- Revitalização da Pink;
- Fortalecimento dos sutiãs;
- Reconquista do público de 18 a 24 anos.
Outro fator que voltou a ganhar importância foi a rede de lojas físicas.
Durante anos, a forte presença em shopping centers era vista como um ponto fraco. Agora, a empresa passou a tratar suas unidades como uma vantagem competitiva capaz de oferecer experiência diferenciada e ampliar a conexão com as consumidoras.
No fechamento do trimestre, a recuperação da Victoria’s Secret deixou de ser apenas uma expectativa do mercado e passou a ser sustentada por resultados concretos. O crescimento das vendas, a redução da dependência de descontos e a elevação das projeções indicam que a companhia começa a reconstruir sua posição em um setor cada vez mais competitivo.





