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Recuperação da Victoria’s Secret ganha força com vendas acima do esperado

A recuperação da Victoria's Secret ganhou força após a empresa aumentar vendas, reduzir promoções e elevar projeções. O resultado sugere uma mudança estrutural no negócio.
Imagem da fachada da Victoria's Secret para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Recuperação da Victoria's Secret.
Victoria's Secret surpreende mercado e acelera recuperação da marca. (Imagem: Rowanlovescars/Unsplash)

A recuperação da Victoria’s Secret entrou em uma nova fase após a varejista registrar resultados acima das expectativas e elevar suas projeções para o restante do ano. O desempenho chamou atenção porque ocorreu em um momento em que muitos varejistas ainda enfrentam dificuldades para estimular o consumo sem recorrer a descontos agressivos.

Mais do que o avanço do lucro, os números indicam que a companhia está conseguindo recuperar relevância junto aos consumidores, ampliar participação de mercado e melhorar a rentabilidade ao mesmo tempo. Essa combinação ajuda a explicar por que as ações chegaram a disparar cerca de 40% no pré-mercado.

O resultado também oferece um sinal importante para investidores: a estratégia de reposicionamento liderada pela CEO Hillary Super começa a produzir efeitos concretos após anos de perda de espaço para concorrentes mais ágeis.

Por que a Victoria’s Secret voltou a crescer

O principal diferencial do trimestre foi a capacidade da empresa de vender mais produtos sem ampliar promoções.

Historicamente, redes de vestuário recorrem a descontos para estimular a demanda em períodos de consumo mais fraco. A Victoria’s Secret seguiu o caminho oposto.

Segundo a companhia:

  • As promoções foram reduzidas significativamente;
  • As vendas continuaram avançando;
  • A participação de mercado aumentou;
  • O público jovem voltou a comprar mais.

Esse comportamento sugere uma melhora na percepção da marca e maior disposição dos consumidores para pagar preço cheio pelos produtos.

A estratégia também ajudou a preservar margens e impulsionar a rentabilidade.

Categoria de sutiãs voltou a ser o motor do negócio

Uma das prioridades da gestão foi fortalecer a categoria considerada mais importante para a companhia. O crescimento comparável dos sutiãs registrou avanço de dois dígitos durante o trimestre, segundo a empresa.

O desempenho tem importância estratégica porque os sutiãs funcionam como porta de entrada para o relacionamento com a cliente.

Quando essa categoria cresce, a empresa tende a aumentar:

  • Frequência de compra;
  • Fidelização;
  • Venda de produtos complementares;
  • Valor gasto por cliente.

A recuperação desse segmento ajuda a explicar por que a Victoria’s Secret conseguiu expandir receitas sem depender de campanhas promocionais intensas.

Lucro e vendas superaram as expectativas do mercado

Os resultados financeiros confirmaram que a melhora operacional começou a aparecer nos números.

A companhia registrou receita de US$ 1,56 bilhão, acima da expectativa de US$ 1,52 bilhão.

Os principais indicadores ficaram assim:

  • Lucro ajustado por ação: US$ 0,60
  • Expectativa do mercado: US$ 0,30
  • Receita: US$ 1,56 bilhão
  • Projeção dos analistas: US$ 1,52 bilhão
  • Crescimento das vendas: aproximadamente 15%
  • Vendas comparáveis: 13%

O lucro líquido alcançou US$ 47,7 milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior.

Os resultados mostram que o crescimento não foi sustentado apenas pelo aumento das vendas, mas também por ganhos de eficiência operacional.

Projeções maiores indicam confiança na segunda metade do ano

O aspecto que mais reforçou a percepção positiva dos investidores foi a revisão das projeções.

A empresa agora espera vendas anuais entre US$ 7,03 bilhões e US$ 7,13 bilhões, acima da previsão anterior.

A expectativa de lucro operacional ajustado também avançou de forma relevante.

A nova projeção passou para:

  • US$ 550 milhões a US$ 580 milhões

Anteriormente, a faixa estimada era de:

  • US$ 430 milhões a US$ 460 milhões

Segundo a companhia, a revisão reflete o desempenho acima do esperado no primeiro trimestre, o ritmo observado no início do segundo trimestre e a confiança nos lançamentos previstos para os próximos meses.

O cenário também foi beneficiado pela redução dos custos tarifários após parte das tarifas impostas pelo governo Donald Trump ter sido considerada ilegal.

O que mudou na estratégia da Victoria’s Secret

Nos últimos anos, a empresa enfrentou uma combinação difícil de desafios.

A marca perdeu espaço para concorrentes especializados, sofreu com mudanças nos padrões de consumo e enfrentou críticas relacionadas à sua imagem.

A atual gestão decidiu concentrar esforços em áreas consideradas essenciais para reconstruir o negócio.

Entre as prioridades estão:

  • Reforço da identidade da marca;
  • Expansão da divisão de beleza;
  • Revitalização da Pink;
  • Fortalecimento dos sutiãs;
  • Reconquista do público de 18 a 24 anos.

Outro fator que voltou a ganhar importância foi a rede de lojas físicas.

Durante anos, a forte presença em shopping centers era vista como um ponto fraco. Agora, a empresa passou a tratar suas unidades como uma vantagem competitiva capaz de oferecer experiência diferenciada e ampliar a conexão com as consumidoras.

No fechamento do trimestre, a recuperação da Victoria’s Secret deixou de ser apenas uma expectativa do mercado e passou a ser sustentada por resultados concretos. O crescimento das vendas, a redução da dependência de descontos e a elevação das projeções indicam que a companhia começa a reconstruir sua posição em um setor cada vez mais competitivo.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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