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Ações da Raízen caem 21% com plano que reduz espaço dos acionistas

As ações da Raízen despencaram após a divulgação dos termos da recuperação extrajudicial. O mercado reagiu ao risco de diluição dos acionistas e à possibilidade de os credores ficarem com até 83% da companhia após a reestruturação.
Imagem da logo da Raízen para ilustrar uma matéria jornalística sobre as Ações da Raízen.
Ações da Raízen despencam com avanço dos credores sobre empresa. (Imagem: divulgação/Raízen)

A queda das ações da Raízen na quinta-feira (28) mostrou que a preocupação do mercado vai além da dívida bilionária da companhia. Investidores passaram a precificar um cenário em que os atuais acionistas podem perder grande parte da participação econômica e da influência sobre os rumos da empresa.

Os papéis chegaram a cair mais de 21%, após a divulgação dos detalhes da recuperação extrajudicial. O ponto mais sensível do plano foi a proposta de conversão de dívida em ações a R$ 0,25 por papel, valor que amplia a participação dos credores no capital da companhia.

O mercado interpretou a proposta como uma mudança estrutural no equilíbrio de poder da Raízen, hoje controlada pela Cosan e pela Shell.

Por que as ações da Raízen caíram com tanta força

A Raízen informou que possui uma dívida total de R$ 75,35 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões fazem parte da recuperação extrajudicial negociada com credores financeiros.

O aspecto que mais chamou atenção foi o modelo escolhido para a reestruturação.

Segundo análise do UBS BB, a conversão da dívida a R$ 0,25 por ação poderá fazer com que os credores terminem o processo com cerca de 83% da companhia, equivalentes a aproximadamente 72% das ações ordinárias.

Na prática, o mercado passou a enxergar uma forte diluição dos atuais acionistas.

Entre os fatores que pressionaram os papéis estão:

  • Conversão de dívida em ações a preço reduzido;
  • Possível transferência de controle econômico;
  • Redução da participação dos acionistas atuais;
  • Maior influência dos credores na governança;
  • Incertezas sobre o valor futuro da companhia.

Como o plano pode mudar o controle da Raízen

A proposta prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell ao preço de R$ 0,25 por ação após a conclusão da operação.

Também existe a possibilidade de um investimento adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, ligada ao empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Além dos aportes, a principal mudança ocorre por meio da conversão de parte da dívida em participação acionária.

Na chamada Opção A, os credores poderão converter 45% da dívida reestruturada em ações da empresa.

Esse mecanismo é justamente o que abriu espaço para a projeção de que os credores possam se tornar os maiores donos da companhia após a conclusão da operação.

A leitura do mercado foi direta: embora a Raízen reduza sua pressão financeira, os atuais acionistas podem sair do processo com uma fatia muito menor do negócio.

O que muda para quem continua acionista

O plano não prevê a saída da atual administração, mas estabelece um novo desenho de governança.

Após a conclusão da reestruturação, o conselho de administração deverá ter sete integrantes.

A distribuição prevista é:

  • Quatro representantes indicados pelos credores apoiadores;
  • Três representantes indicados pelos acionistas investidores;
  • Presidência do conselho indicada pelos credores.

Além disso, os credores terão poder de supervisão e veto limitado sobre temas considerados relevantes.

Esse ponto ajuda a explicar a reação negativa da Bolsa.

O mercado costuma aceitar reestruturações quando elas reduzem o endividamento sem alterar a estrutura de controle. No caso da recuperação extrajudicial da Raízen, a percepção foi diferente.

Além da renegociação financeira, o plano sinaliza uma possível redistribuição do poder dentro de uma das maiores empresas de energia, combustíveis, açúcar e etanol do país.

Por isso, a forte queda das ações da Raízen refletiu menos o tamanho da dívida e mais o receio de que os atuais acionistas passem a ter uma participação muito menor em uma companhia que poderá emergir da crise com novos controladores de fato.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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