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IA na segurança pública: Startup brasileira realiza maior captação inicial da história do Brasil

A Pax captou R$ 200 milhões na maior rodada seed do Brasil. O aporte mostra como a IA na segurança pública virou alvo de investidores globais interessados em transformar dados e investigação em tecnologia escalável.
Tela de computador exibe a plataforma da Pax com painel de monitoramento, mapas e dados integrados usados para apoiar investigações de segurança pública.
A Pax atraiu R$ 200 milhões em investimento para expandir sua plataforma de inteligência artificial aplicada à segurança pública (Foto: Ilustrativa)

O uso de Inteligência Artificial (IA) na segurança pública deixou de ser apenas uma ferramenta de modernização policial para se tornar uma das apostas mais ambiciosas do mercado de tecnologia. A startup brasileira Pax captou R$ 200 milhões em uma rodada liderada pelos mesmos fundos do Vale do Silício que, inclusive, já investiram em empresas como Uber, Instagram e Anthropic.

O movimento revela uma mudança importante na forma como investidores enxergam o combate ao crime. Em vez de tratar segurança apenas como responsabilidade estatal, fundos globais passaram a identificar oportunidades de crescimento em plataformas capazes de transformar grandes volumes de dados em inteligência operacional.

A mudança ocorre em uma região onde a violência continua impondo elevados custos econômicos, sociais e institucionais.

Segurança pública entra no radar dos investidores de tecnologia

Durante anos, os maiores investimentos em tecnologia foram direcionados para setores como finanças, mobilidade, comércio eletrônico e produtividade corporativa.

Agora, a segurança pública começa a seguir caminho semelhante.

A tese dos investidores parte de um problema objetivo: enormes volumes de informações continuam dispersos entre sistemas desconectados, dificultando investigações e reduzindo a eficiência operacional das forças de segurança. É justamente nessa lacuna que a IA na segurança pública passou a atrair atenção de fundos especializados em tecnologia.

A proposta da Pax é integrar esses dados em uma única plataforma.

Segundo a empresa, o sistema conecta:

  • câmeras de monitoramento;
  • registros policiais;
  • bases criminais;
  • informações de veículos;
  • dados investigativos.

O objetivo é gerar alertas e pistas em tempo real que possam acelerar o trabalho das autoridades.

A aposta atraiu nomes relevantes do capital de risco porque combina dois elementos raros: um problema estrutural de grande escala e um mercado ainda pouco explorado pela inteligência artificial.

Dados criminais viram ativo estratégico na nova economia da IA

O avanço da inteligência artificial depende cada vez mais da capacidade de organizar e interpretar grandes volumes de informação.

Grande parte das investigações continua exigindo análise manual de imagens, consultas em sistemas separados e cruzamento de informações que podem consumir dias ou semanas de trabalho. A proposta da IA na segurança pública é justamente reduzir esse tempo ao transformar dados dispersos em inteligência operacional.

Quanto maior a capacidade de transformar dados em informações acionáveis, maior tende a ser o valor da plataforma para governos e instituições de segurança.

Segundo a Pax, operações apoiadas pela tecnologia ajudaram a esclarecer mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades brasileiras ao longo do último ano, incluindo furto de veículos, roubos à mão armada e até homicídios.

O resultado reforça uma tendência observada globalmente: empresas que conseguem converter dados em decisões rápidas passaram a ocupar posição estratégica em setores antes considerados exclusivamente operacionais.

O tamanho do mercado explica o interesse do Vale do Silício

O interesse dos investidores vai além dos resultados apresentados pela Pax. A aposta está no tamanho do problema que a empresa pretende enfrentar. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a violência custou US$ 241 bilhões à América Latina em 2025, cerca de R$ 1,2 trilhão.

O impacto atinge empresas, governos e a atividade econômica, elevando custos, reduzindo produtividade e pressionando investimentos.

Ao mesmo tempo, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para resolver crimes. O Instituto Sou da Paz estima que o Brasil esclareça menos de 40% dos homicídios, percentual inferior à média mundial. O cenário revela uma limitação que vai além do efetivo policial e expõe dificuldades no uso e no compartilhamento de informações durante as investigações.

É justamente nesse ponto que a IA na segurança pública desperta interesse. A proposta não é substituir investigadores, mas acelerar tarefas que ainda dependem de análises manuais, cruzamento de imagens e consultas em sistemas separados. Algo útil em um país onde facções criminosas podem ser consideradas grupos terroristas.

Aposta em IA na segurança pública vai além da Pax e mira um novo mercado tecnológico

A captação da Pax mostra que fundos internacionais passaram a enxergar a segurança pública como uma oportunidade de longo prazo para a inteligência artificial. A tese combina um problema de grande escala, baixa eficiência operacional e amplo espaço para ganhos tecnológicos.

Mais do que financiar uma única empresa, os investidores apostam que plataformas capazes de integrar dados, gerar inteligência em tempo real. E, além disso, apoiar investigações podem se tornar parte da infraestrutura digital usada por governos e forças de segurança.

O avanço desse mercado ainda está no início, mas já começa a atrair capital semelhante ao que impulsionou fintechs e outras plataformas tecnológicas na última década.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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