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Um touro, agarra-se pelos chifres? – Por Samir Nicolau

Foto: Pexels

*Coluna por Samir Nicolau, 03/03/2022

Um touro, domina-se não na força, mas na estratégia, infinitamente mais forte que o humano, é a besta. Um touro que será usado para tração, se domina e conduz com uma argola ao nariz. O toureiro fadiga e subjuga a fera com desvios. Um bom vaqueiro, não se lança contra a boiada, mas a conduz com o berrante.

É indubitável que o agronegócio brasileiro possui potencial inigualável, tanto econômico, tanto estratégico do ponto de vista global. Em nosso país o setor é responsável por mais de um quarto do produto interno bruto e um terço dos empregos formais da nação estão ligados ao agronegócio. No cenário global é nosso país que está no pódio, figurando quase sempre entre os 3 maiores produtores das principais commodities agropecuárias, somos um importante player no âmbito da segurança alimentar global.

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Nosso agronegócio é um robusto e gigante touro, temos condições climáticas e terras agricultáveis como nenhuma outra nação, e mesmo em áreas adversas, nossos agropecuaristas desenvolveram estratégias para produzir, nosso touro assusta o mundo, poucas são as nações que conseguem competir conosco e recorrem, em geral, a estratégias de subsidio para garantir a sobrevivência de seus setores agroindustriais.

Tal qual a argola no nariz do touro, é a nossa dependência de insumos essenciais ao agronegócio, dentre eles destacam-se fertilizantes e os químicos, estes últimos servem de matéria prima das indústrias de defensivos e farmacêuticas. E a recente crise dos fertilizantes, agravada pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia evidenciou essa condição. Essa argola, aí está, não por indisposição de recursos naturais, mas por nosso setor minerador não ser competitivo ao ponto de importarmos 85% de nossas demandas de fertilizantes, mesmo existindo jazidas dos minerais em território nacional, um paradoxo da globalização.

O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) foi lançado pelo Governo Federal, dia 11 de março, é importante passo rumo a sustentabilidade e segurança ao setor. Constitui-se de planejamento para as próximas décadas, com foco nos diferentes elos da cadeia: indústria tradicional, produtores rurais e cadeias emergentes, visando promover o desenvolvimento do agronegócio nacional, de novas tecnologias, do uso de insumos minerais, de inovação e sustentabilidade ambiental, ainda reduzir a dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados.

Esse plano possui metas ambiciosas, pretende até 2030 octuplicar a produção nacional de nitrogênio e potássio e mais que duplicar a de fosfato. Objetivos importantes e de longo prazo. O cenário imediato para a agricultura nacional será senão de desabastecimento, no mínimo de escassez o que resulta imediatamente em pressão de preços, que mesmo a possível desoneração tributária sobre a importação desses insumos não deve ser suficiente para baixar. Teremos pressão sobre o produtor, que deverá ficar achatado entre a alta do insumo e dólar em baixa, cenário desvantajoso para a venda das commodities agrícolas.

É louvável o lançamento do PNF embora fique o questionamento dos motivos pelos quais não existia tal plano para um setor tão estratégico para nossa economia e sociedade. Fica em reflexão também o questionamento do que será necessário ocorrer para termos um Plano Nacional de Químicos, uma vez que a China concentra a maior parte da produção de insumos essenciais para as indústrias farmacêutica e de defensivos.

Nosso touro pode bufar, mas enquanto não lhe tirarmos as argolas no nariz, não correrá livre, dominando o mercado.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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