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Educação financeira nas escolas impõe desafios e traz benefícios

(Foto: Mikhail Nilov/Pexels)
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Desde 2020, conforme previsão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os currículos da educação básica – da Educação Infantil ao Ensino Médio – precisam abordar a educação financeira. O documento orienta que o tema seja trabalhado de forma transversal e integrado a outras disciplinas, como Matemática, Língua Portuguesa ou Ciências, possibilitando que crianças e jovens aprendam, desde cedo, a gerenciar finanças pessoais, elaborar planejamentos financeiros, investir, poupar e consumir de forma consciente.

Os números indicam que aprender sobre dinheiro nunca foi tão importante. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, cerca de 77% da população brasileira estava endividada em 2021. O cenário é preocupante não apenas para o presente, mas também para as próximas gerações, já que grande parte da experiência financeira dos jovens é culturalmente herdada pela família.

O desafio de ensinar crianças e jovens a controlar os orçamentos domésticos, evitar dívidas e usar o dinheiro de forma adequada não é inédito. Antes da BNCC, o Brasil já contava com a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), política pública lançada em 2010. Mas mesmo depois de mais de uma década, o cenário que se tem ainda é delicado. O Pisa, um dos principais programas de avaliação de aprendizagem e desempenho escolar, mostrou que 53% dos alunos brasileiros estão abaixo do nível mínimo quando o assunto é conhecimento financeiro, índice que deixa o país atrás dos vizinhos Chile (38%) e Peru (48%). Há, portanto, ainda muito a ser feito. 

De acordo com Daniel Alberini, diretor de Gestão e sócio da gestora independente CTM Investimentos, a educação financeira também é assunto para ser abordado dentro de casa.

“Na escola ou em casa, com a família, a educação financeira deveria ser iniciada na infância. Isso significa, antes de mais nada, conhecimento. Munidas de informações e com as ferramentas necessárias para a tomada de decisão, as pessoas têm chances de reduzir a inadimplência, montar planejamentos financeiros viáveis e, como consequência, deixam de pagar juros desnecessários, têm mais poder de compra e constroem um futuro melhor para si”, explica o executivo.

Para avançar nos próximos anos, o caminho é a formação de gestores escolares e professores, sendo que algumas iniciativas importantes já estão em andamento. O Programa Nacional de Educação Financeira nas Escolas, do Ministério da Educação em parceria com a Comissão de Valores Imobiliários, é uma delas. O objetivo do programa é capacitar 500 mil professores do 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª série do Ensino Médio de escolas públicas municipais, estaduais e militares de todo o país nos próximos três anos. O Banco Central também assumiu um compromisso com o tema, trabalhando com o programa Aprender Valor, que propõe projetos escolares de educação financeira para gestores escolares e oferece formações virtuais para educadores em três pilares estratégicos: planejar, poupar e gerenciar.

“Ter educadores mais preparados para trabalhar a questão da educação financeira é uma maneira muito promissora para formar crianças e jovens mais preparados para lidar com dinheiro. Quando o assunto é tratado com a importância que merece, a autonomia e a autoconfiança são estimuladas, além de favorecer decisões mais conscientes e responsáveis”, aponta Alberini.

E não são apenas as crianças que serão impactadas por esse esforço conjunto entre escola e sociedade. O histórico dos programas de educação ambiental e de trânsito já indicam que levar questões com relevância social para o ambiente escolar também pode influenciar e refletir no comportamento dos adultos, criando novos ciclos e promovendo transformações estruturais.

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