O presidente eleito do Paraguai, Santiago Peña, compartilhou em uma entrevista exclusiva a Reuters, sua perspectiva sobre as negociações do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Peña expressou sua opinião de que seria prudente pausar as discussões, levantando dúvidas sobre o comprometimento real da União Europeia em impulsionar o acordo.
Na entrevista, Peña, que assume o cargo na próxima semana, também mencionou suas preocupações em relação às demandas ambientais apresentadas pela União Europeia durante as negociações. Ele afirmou que essas demandas seriam prejudiciais ao progresso econômico do Paraguai, um importante exportador de soja. As observações de Peña ressaltam as tensões que cercam as negociações entre os dois blocos, que enfrentaram atrasos consideráveis devido a questões relacionadas ao compromisso ambiental do Brasil sob a administração anterior de Jair Bolsonaro.
Na América do Sul, encontramos alguns dos maiores exportadores globais de commodities como soja, milho e carne bovina. Recentemente, tem havido um aumento na oposição por parte dos países sul-americanos em relação às exigências ambientais da União Europeia, com a alegação de que essas demandas equivalem a práticas protecionistas e ameaçam a produção local.
“O enfoque adotado pela União Europeia é claramente desafiador”, comentou Peña, um membro do Partido Colorado, durante uma entrevista rara realizada em sua residência em Assunção. “É vital que a União Europeia esclareça sua posição sobre a real disposição para prosseguir com um acordo de livre comércio. Atualmente, tenho minhas reservas quanto ao verdadeiro interesse deles.” Os representantes do Mercosul estão em fase de elaboração de uma contraproposta, que será discutida com os negociadores da União Europeia. A esperança é de que um acordo possa ser alcançado ainda neste ano.



