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Nova fase da Compliance Zero atinge Augusto Lima e traz Banco Pleno de volta à investigação

A nova fase da Operação Compliance Zero voltou a atingir Augusto Lima e trouxe o Banco Pleno de volta ao caso. Entenda por que a instituição liquidada pelo BC reapareceu na investigação.
Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, investigado na nona fase da Operação Compliance Zero.
Augusto Lima voltou a ser alvo da Polícia Federal na nova fase da Operação Compliance Zero. (Foto: Reprodução)

A nona fase da Operação Compliance Zero ampliou o alcance de uma investigação que começou no sistema financeiro e agora atinge nomes próximos ao poder político. Nesta quinta-feira (18/06), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em uma operação que tem entre seus alvos o empresário Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Além de Augusto Lima, também é alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O retorno de Augusto Lima ao centro da investigação ocorre poucos meses após a liquidação extrajudicial do Banco Pleno pelo Banco Central, fato que recolocou a instituição sob atenção do mercado e dos órgãos de fiscalização.

A nova fase da operação mostra que a apuração avançou além das suspeitas sobre produtos financeiros. E, com isso, passou a examinar as relações empresariais e políticas construídas em torno do caso Banco Master.

Por que o Banco Pleno voltou ao radar da investigação

Pertencente a Augusto Lima, o Banco Pleno foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro deste ano após o regulador apontar deterioração da situação financeira da instituição, problemas de liquidez e descumprimento de normas que disciplinam a atividade bancária.

A intervenção encerrou as operações do banco e tornou indisponíveis os bens de controladores e administradores, medida prevista nos processos de liquidação extrajudicial.

Embora tivesse participação reduzida no sistema financeiro nacional, a instituição ganhou visibilidade por oferecer produtos de renda fixa com remuneração acima da média do mercado. E, além disso, por sua ligação com personagens centrais da crise envolvendo o Banco Master.

Antes de assumir o controle do Banco Pleno, Augusto Lima manteve relação societária e executiva com Daniel Vorcaro. Essa trajetória passou a ser observada pelos investigadores à medida que novas conexões surgiram ao longo da Operação Compliance Zero.

Augusto Lima se tornou um dos principais pontos de interesse da PF

As investigações apontam que Augusto Lima participou de iniciativas ligadas ao crédito consignado e manteve proximidade com diferentes agentes políticos e financeiros citados ao longo da apuração.

Um dos focos está na expansão do Credcesta, produto criado para servidores públicos da Bahia. E que, posteriormente, foi ampliado para outros mercados por meio de parcerias com instituições financeiras.

Documentos produzidos durante a investigação também indicam que Lima teria atuado em negociações relacionadas ao Banco Master. E, além disso, mantido interlocução com figuras influentes do cenário político baiano.

Entre os elementos analisados pela PF estão:

  • Operações ligadas ao crédito consignado;
  • Relações empresariais associadas ao Banco Master;
  • Contatos entre investigados;
  • Movimentações financeiras sob apuração.

O avanço da investigação sugere que a PF busca compreender como interesses financeiros e relações políticas se cruzaram em diferentes negócios associados ao grupo.

O que a nova fase revela sobre o caso

A presença de Augusto Lima e do senador Jaques Wagner entre os alvos marca uma mudança relevante na Operação Compliance Zero. A investigação já não está restrita às operações financeiras que deram origem ao caso.

O foco agora alcança personagens que circularam ao redor dos negócios associados ao Banco Master. Entre eles estão empresários, operadores do mercado financeiro e agentes públicos.

Com a nona fase, a Polícia Federal tenta esclarecer como essas relações se conectaram ao longo dos anos. O Banco Pleno reaparece nesse contexto como uma das instituições ligadas aos personagens que continuam no centro da apuração.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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