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Liquidação extrajudicial do Banco Pleno expõe crise após restrições do BC

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno após deterioração financeira e crise de liquidez. A instituição acumulava R$ 6,8 bilhões em passivos, com forte concentração em CDBs. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF aos investidores. Saiba mais.
Imagem de ala de recepção do Banco Pleno, ilustrando instituição liquidação extrajudicial do Banco Pleno decretada pelo Banco Central
Banco Central determinou liquidação extrajudicial do Banco Pleno após apontar deterioração financeira e inviabilidade de continuidade operacional. (Foto: Divulgação/Banco Pleno)

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno foi decretada nesta quarta-feira (18/02) pelo Banco Central (BC), que apontou comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias. A decisão interrompe as atividades da instituição e estende o regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), integrante do mesmo conglomerado prudencial.

Segundo ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a medida ocorre após meses de pressão sobre o caixa da instituição. Embora a liquidação do Banco Pleno tenha repercussão no mercado, o conglomerado representava apenas 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN), o que limita efeitos sistêmicos mais amplos.

Liquidação extrajudicial Banco Pleno e a pressão sobre o passivo

Dados do próprio Banco Central indicam que, em setembro, o banco registrava passivo de aproximadamente R$ 6,8 bilhões. Desse total, cerca de R$ 5,2 bilhões estavam concentrados em CDBs, além de R$ 760 milhões em letras financeiras. A forte dependência de depósitos a prazo como principal fonte de funding ampliou a vulnerabilidade quando surgiram restrições regulatórias à emissão de novos títulos.

Com menor capacidade de rolar a dívida, os papéis passaram a ser negociados no mercado secundário com taxas muito superiores ao CDI, refletindo deterioração da confiança. Esse ambiente de restrição progressiva culminou na liquidação extrajudicial do Banco Pleno, após fracassarem alternativas de capitalização ou venda da operação.

Como funciona o regime da liquidação e o papel do FGC

Com a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, o Banco Central interrompe imediatamente o funcionamento da instituição. Além disso, a autarquia suspende as atividades operacionais e considera vencidas todas as obrigações do banco. O processo, inclusive, não tem prazo definido para conclusão e pode culminar em uma decretação de falência, conforme decisão do regulador.

Para os investidores impactados, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF. Valores acima desse limite entram na fila de recuperação no processo liquidatório. O mecanismo preserva a estabilidade do sistema, embora não elimine perdas potenciais para aplicações superiores ao teto protegido.

Histórico antes da liquidação extrajudicial do Banco Pleno

A instituição teve origem no Banco Indusval, tradicional no crédito corporativo. Porém, em 2019, adotou o nome Voiter, em tentativa de reposicionamento estratégico com foco mais enxuto e digital. Em 2024, o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, incorporou a instituição ao seu conglomerado.

Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência de controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, operação que deu origem ao Banco Pleno. A autorização incluiu condicionantes, entre elas um plano para enfrentar eventual crise de liquidez. Ainda assim, a estrutura permaneceu fortemente dependente de captação via CDB, o que ampliou a exposição a restrições regulatórias e levou, meses depois, à liquidação extrajudicial do Banco Pleno.

Novas liquidações elevam o escrutínio sobre bancos médios

Além da liquidação extrajudicial do Banco Pleno, o Banco Central decretou recentemente a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e do Will Bank, em janeiro de 2026. Nos três casos, a autoridade monetária apontou deterioração financeira e inviabilidade de continuidade operacional.

A sucessão de decisões sugere um ambiente de supervisão mais rigoroso para instituições com estrutura de captação concentrada e menor margem de liquidez. Nesse contexto, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno reforça o alerta sobre a capitalização adequada, diversificação de funding e governança consistente.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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