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Quebra do Will Bank amplia disputa bilionária entre Mastercard e maquininhas

A liquidação do Will Bank abriu disputa entre Mastercard e credenciadoras sobre quem deve absorver prejuízos bilionários ligados ao modelo D28.
Mão segurando cartão amarelo do Will Bank com bandeira Mastercard sobre fundo amarelo.
Cartão do Will Bank no centro da disputa entre Mastercard e credenciadoras após liquidação do banco pelo Banco Central. (Foto: Divulgação/Will Bank)

A liquidação do Will Bank voltou a pressionar o setor de cartões após a Mastercard, bandeira dos cartões emitidos pela fintech, propor às credenciadoras que dividissem parte das perdas deixadas pela instituição financeira liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano.

No centro da disputa está uma exposição que chegou perto de R$ 8 bilhões dentro do modelo D28. Nesse sistema, lojistas recebem pelas vendas antes de o dinheiro completar toda a cadeia de liquidação entre emissores, bandeiras e maquininhas.

A quebra do Will Bank transformou esse modelo numa nova frente de tensão entre Mastercard, adquirentes e Banco Central, que agora sofre pressão para definir quem deve absorver os prejuízos deixados pela operação.

Liquidação do Will Bank expôs fragilidade do modelo de cartões

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank em janeiro de 2026 após o agravamento da crise envolvendo o conglomerado Banco Master e a deterioração financeira da instituição. Pagamentos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começaram logo em seguida.

Porém, a situação piorou depois que o Will Bank deixou de honrar obrigações ligadas à liquidação das transações de cartões dentro do arranjo da Mastercard. A bandeira então reduziu a exposição, executou garantias e bloqueou parte das operações vinculadas ao emissor.

Segundo informações do mercado, a exposição da Mastercard chegou perto dos R$ 8 bilhões antes de recuar para algo entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.

Parte desse risco estava concentrada justamente no modelo D28, no qual os lojistas recebem os valores das vendas antes da conclusão integral da liquidação financeira dentro da cadeia de cartões.

Isso amplia o intervalo de exposição entre:

  • emissores;
  • bandeiras;
  • credenciadoras;
  • antecipadoras de recebíveis;
  • maquininhas.

Logo após a liquidação do Will Bank, a Mastercard honrou pagamentos mais próximos do vencimento e ligados aos fluxos de D28. Depois, porém, propôs dividir o restante das perdas com as adquirentes.

A proposta irritou empresas do setor, que passaram a defender que a responsabilidade financeira pertence integralmente às bandeiras.

Disputa entre Mastercard e maquininhas aumenta pressão sobre o D28

O caso reacendeu críticas ao modelo brasileiro de liquidação em 28 dias, considerado incomum em comparação com outros mercados.

Executivos do setor afirmam que o prazo ampliou excessivamente o risco acumulado dentro da indústria de pagamentos, principalmente após a expansão acelerada de fintechs emissoras nos últimos anos e o agravamento da crise envolvendo Mastercard e Will Bank.

A preocupação aumentou porque:

  • a inadimplência dos cartões do Will estaria perto de 50%;
  • o D28 amplia o tempo de exposição financeira;
  • parte das garantias executadas não cobre integralmente as perdas;
  • o setor passou anos operando com risco concentrado nas bandeiras.

O mercado também teme efeitos futuros sobre:

  • antecipação de recebíveis;
  • taxas cobradas das maquininhas;
  • exigências de garantia;
  • emissão de cartões por fintechs;
  • concessão de crédito no setor.

A própria Mastercard chegou a discutir internamente uma redução do prazo de liquidação de D28 para D2 durante a reformulação das regras do arranjo.

A proposta acabou retirada após resistência do mercado e preocupações concorrenciais envolvendo outras bandeiras.

Banco Central virou peça central da disputa regulatória Will Bank e Mastercard

A disputa envolvendo Mastercard e as credenciadoras ganhou dimensão regulatória porque o Banco Central reforçou meses antes a responsabilidade das bandeiras sobre a liquidação das transações dentro dos arranjos de pagamento.

Após a liquidação do Will Bank, as maquininhas passaram a usar as próprias regras do BC para pressionar a Mastercard a absorver integralmente as perdas deixadas pelo emissor. O setor argumenta que os recursos em trânsito deveriam permanecer protegidos mesmo após a quebra da instituição financeira.

O mercado agora teme que o caso altere permanentemente a distribuição de risco na indústria de cartões. Se as bandeiras forem obrigadas a assumir prejuízos maiores, a tendência é de aumento das garantias exigidas, redução de exposição a fintechs emissoras e pressão crescente sobre o modelo D28.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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