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Polen Capital perde US$ 50 bilhões após apostar contra a Nvidia

A Polen Capital virou símbolo dos riscos de ignorar a revolução da inteligência artificial. Entenda como uma tese equivocada eliminou US$ 50 bilhões em ativos e mudou a discussão sobre investimentos em Wall Street.
Logo da Polen Capital para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Polen Capital e Nvidia.
Polen Capital perde US$ 50 bilhões após ignorar a alta da Nvidia. (Imagem: divulgação/Polen Capital)

A inteligência artificial está criando algumas das maiores fortunas da história dos mercados financeiros. Ao mesmo tempo, começa a produzir derrotas igualmente marcantes. A Polen Capital perdeu cerca de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão após apostar que empresas tradicionais de software resistiriam melhor à transformação tecnológica do que a Nvidia.

O impacto foi além da rentabilidade dos fundos. A gestora viu clientes retirarem recursos, ativos encolherem e uma estratégia que parecia vencedora durante anos perder força diante da nova dinâmica criada pela IA.

O episódio se tornou um dos exemplos mais claros de como a inteligência artificial está alterando as regras de Wall Street e redefinindo quais setores concentram o valor gerado pela tecnologia.

A história da Polen não trata apenas de uma ação que subiu mais do que o esperado. Ela mostra como uma mudança tecnológica pode enfraquecer teses de investimento consideradas sólidas durante décadas.

Polen Capital: Nvidia revela o custo de ignorar uma ruptura tecnológica

A Polen construiu sua reputação investindo em um grupo reduzido de empresas de crescimento e mantendo posições por longos períodos. O modelo funcionou durante anos e ajudou a gestora a alcançar cerca de US$ 83 bilhões em ativos no auge de 2021.

Quando a corrida da inteligência artificial ganhou força, os gestores concluíram que o mercado estava exagerando o potencial da Nvidia.

Em junho de 2023, a casa afirmou a clientes que praticamente todas as oportunidades de valorização da fabricante de chips já estariam refletidas no preço das ações.

O diagnóstico se mostrou equivocado.

Desde então, a Nvidia acumulou valorização próxima de 400%, tornando-se uma das maiores beneficiárias da expansão global da inteligência artificial.

Enquanto isso, a Polen manteve exposição relevante a companhias como Adobe, Salesforce e ServiceNow, empresas que passaram a enfrentar dúvidas crescentes sobre sua capacidade de preservar vantagens competitivas em um ambiente dominado pela IA generativa.

Os números mostram a dimensão do impacto:

  • Ativos totais recuaram de cerca de US$ 83 bilhões para US$ 33 bilhões
  • O principal fundo caiu de aproximadamente US$ 14 bilhões para menos de US$ 2 bilhões
  • O produto passou a figurar entre os piores da categoria acompanhada pela Morningstar
  • A gestora iniciou cortes de pessoal e enfrentou saídas de executivos importantes

A consequência foi uma das maiores perdas de patrimônio registradas por uma gestora associada ao segmento de crescimento durante o ciclo da inteligência artificial.

Por que a IA está redefinindo os vencedores de Wall Street

A transformação observada na Polen Capital reflete um fenômeno mais amplo.

Durante boa parte dos últimos vinte anos, investidores premiaram empresas de software capazes de expandir receitas com baixo consumo de capital e elevadas margens operacionais.

A inteligência artificial alterou esse equilíbrio.

Antes que softwares capturassem novos fluxos de receita, o mercado passou a concentrar valor nas empresas responsáveis pela infraestrutura necessária para treinar e operar modelos de IA.

Foi nesse ambiente que fabricantes de chips, provedores de computação e fornecedores de infraestrutura tecnológica ganharam protagonismo.

A mudança lembra outras rupturas históricas que remodelaram os mercados financeiros.

A internet transformou empresas de mídia tradicional. Os smartphones redefiniram o setor de tecnologia móvel. A computação em nuvem alterou a indústria de software.

Agora, a inteligência artificial cria uma nova redistribuição de valor dentro da economia digital.

O caso da Polen chama atenção porque a gestora permaneceu fiel à tese anterior mesmo quando o mercado já começava a precificar uma nova realidade.

O que a derrota da Polen Capital sinaliza para investidores e gestores

A pressão sobre a Polen diminuiu apenas quando a gestora revisou suas premissas.

Depois de anos rejeitando a Nvidia, a casa passou a comprar ações da companhia apenas no fim de 2025, quando boa parte da valorização já havia ocorrido.

O episódio tornou-se um alerta para toda a indústria de gestão de recursos.

Gestores que mantêm posições concentradas em modelos de negócios ameaçados pela inteligência artificial enfrentam um desafio crescente. O risco não está apenas em errar qual empresa será vencedora, mas em subestimar a velocidade da mudança tecnológica.

Essa preocupação ganhou ainda mais relevância com a chegada de novas gigantes ligadas à IA ao mercado. A abertura de capital da SpaceX e as expectativas em torno de futuras ofertas de empresas como OpenAI e Anthropic reforçam a busca por exposição aos próximos líderes da transformação tecnológica.

A principal lição deixada pela Polen Capital é que a inteligência artificial não está apenas criando novas empresas vencedoras. Ela também está testando a capacidade de adaptação de investidores, gestores e modelos de análise construídos em uma era anterior.

Em Wall Street, a diferença entre reconhecer uma ruptura tecnológica cedo ou tarde já está sendo medida em dezenas de bilhões de dólares.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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