A Polícia Federal (PF) colocou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no centro de uma investigação sobre cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência aplicados no Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A nova fase da Operação Compliance Zero elevou a pressão política sobre Cláudio Castro e ampliou a crise em torno do uso de dinheiro público em aplicações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
O caso ganhou dimensão porque envolve recursos ligados ao pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores estaduais. A PF investiga se aplicações bilionárias em fundos ligados ao banco ocorreram mesmo diante de alertas sobre riscos financeiros.
Agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação também ampliou a tensão sobre a gestão do Rioprevidência, fundo responsável pela previdência estadual, após sucessivas aplicações em uma instituição financeira investigada por suspeitas de irregularidades.
O que é a Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero foi aberta pela Polícia Federal para investigar possíveis crimes financeiros envolvendo o Banco Master e movimentações consideradas suspeitas com recursos públicos.
Segundo a PF, a investigação apura:
- aplicações financeiras de alto risco
- possíveis fraudes no sistema financeiro
- lavagem de dinheiro
- movimentações patrimoniais suspeitas
- uso de fundos públicos em operações investigadas
A atual fase surgiu como desdobramento da Operação Barco de Papel, iniciada após investigadores identificarem aportes de aproximadamente R$ 970 milhões do Rioprevidência no Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Agora, a PF investiga outros R$ 2,01 bilhões aplicados posteriormente em fundos ligados ao mesmo conglomerado financeiro.
O volume total sob investigação chegou a cerca de R$ 3 bilhões.
Quem é Cláudio Castro e por que a PF investiga o ex-governador
Cláudio Castro assumiu o governo do Rio após o impeachment de Wilson Witzel em 2020 e venceu posteriormente a eleição estadual de 2022.
Nos últimos meses, porém, o ex-governador passou a enfrentar crescente pressão judicial e política em diferentes frentes de investigação.
Em março deste ano, Cláudio Castro renunciou ao cargo na véspera de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisava pedidos de inelegibilidade por suposto abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022.
As ações investigavam supostas contratações irregulares na Fundação Ceperj, estrutura que teria sido usada para beneficiar aliados políticos e fortalecer a campanha eleitoral do então governador.
Nos bastidores políticos, aliados de Cláudio Castro passaram a defender a renúncia como forma de transferir a escolha do novo governador para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde o então governador mantinha forte apoio político.
A operação desta terça-feira marcou a segunda vez em menos de 15 dias que a PF realizou buscas relacionadas ao ex-governador.
Por que o caso do Banco Master preocupa aposentados do Rio
O caso passou a preocupar parlamentares e órgãos de controle porque os recursos investigados pertencem ao Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões estaduais.
Segundo dados apresentados na Alerj:
- quase R$ 1 bilhão foi investido diretamente no Banco Master
- cerca de R$ 1,6 bilhão foi aplicado em fundos administrados pela instituição
- a Cedae também teria investido aproximadamente R$ 200 milhões no banco
Parte dessas aplicações ocorreu mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que recomendou restrições a novos aportes.
O avanço da investigação aumentou o temor sobre a segurança financeira dos recursos previdenciários estaduais e abriu nova crise política no Rio.
Deputados estaduais já articulam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os investimentos realizados pelo Rioprevidência no conglomerado financeiro.
Banco Master amplia crise política e financeira no Rio
O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a atingir diretamente a estrutura política do estado.
A operação elevou a pressão sobre antigos integrantes do governo estadual e aumentou questionamentos sobre a gestão de recursos públicos em aplicações privadas consideradas agressivas.
Além da Compliance Zero, Cláudio Castro também foi alvo recentemente da Operação Sem Refino, investigação sobre suposta ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e evasão de recursos ligados ao setor de combustíveis.
Na ocasião, a PF determinou bloqueios de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros.
O avanço simultâneo das investigações ampliou o desgaste político do ex-governador e elevou o risco de novas crises institucionais no Rio de Janeiro.
A investigação envolvendo Cláudio Castro e o Banco Master também aumentou a pressão sobre fundos públicos estaduais que mantêm recursos aplicados em instituições financeiras privadas de maior risco.





