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CPMI do Banco Master trava no Congresso após Alcolumbre barrar leitura

A CPMI do Banco Master virou disputa política no Congresso após Davi Alcolumbre barrar a leitura dos requerimentos e priorizar votações ligadas a municípios.
Davi Alcolumbre preside sessão do Congresso durante debate sobre CPMI do Banco Master
Alcolumbre rejeitou a leitura dos requerimentos da CPMI do Banco Master durante sessão conjunta do Congresso. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil.)

Uma possível Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master entrou numa nova fase de tensão dentro do Congresso depois que o presidente do Congresso Nacional e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não ler os requerimentos apresentados por parlamentares nesta quinta-feira (21/05). O gesto impediu o avanço formal das investigações mesmo com parte dos pedidos já atingindo o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento.

A decisão mudou rapidamente o eixo da discussão política em Brasília. O debate da CPMI deixou de girar apenas em torno das suspeitas ligadas ao Banco Master e passou a atingir diretamente o poder da presidência do Congresso sobre a definição da pauta.

Isso aconteceu porque a leitura dos requerimentos virou o verdadeiro centro da disputa. Parlamentares favoráveis à investigação passaram a argumentar que, depois das assinaturas reunidas, o rito deveria avançar automaticamente. Alcolumbre, no entanto, adotou posição oposta e sustentou que a leitura depende de decisão da Presidência da Mesa.

O choque entre essas interpretações elevou a pressão sobre o Congresso. Isso, justamente num momento em que lideranças tentam evitar novas crises políticas em meio à aproximação do calendário eleitoral de 2026.

Pauta dos municípios vira argumento para deixar CPMI do Banco Master fora da sessão

Durante a sessão conjunta da Câmara e do Senado, Alcolumbre afirmou que a convocação tinha um objetivo específico: votar vetos presidenciais ligados à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Eleito em 2025, o presidente do Congresso defendeu que milhares de municípios aguardavam a votação para destravar transferências, convênios e obras paralisadas. Segundo ele, mais de 5 mil municípios permaneciam afetados pelas restrições atuais.

O argumento serviu para justificar a prioridade da pauta fiscal, mas também acabou criando uma barreira política para impedir que a CPMI do Banco Master avançasse naquela sessão.

Foi justamente esse movimento que ampliou o desgaste dentro do Congresso. Parlamentares da oposição e setores independentes passaram a acusar a presidência da Casa de usar o controle da pauta para retardar uma investigação considerada sensível politicamente.

A tensão aumentou porque, para além de uma CPMI, o Banco Master já concentra uma sequência crescente de pedidos de investigação no Legislativo, além da Polícia Federal (PF).

Hoje, o Congresso acumula:

  • 8 iniciativas ligadas ao Banco Master;
  • 6 requerimentos com assinaturas mínimas já alcançadas;
  • pedidos apresentados na Câmara, Senado e em comissões mistas.

Esse volume tornou mais difícil manter o tema fora do centro da disputa política.

CPMI deixa de ser apenas investigação e vira disputa por controle político

Nos bastidores, parlamentares já avaliam que o caso ultrapassou o debate técnico sobre abertura de comissão parlamentar.

Quanto mais a leitura dos requerimentos é adiada, maior tende a ficar a percepção de que o avanço da CPMI do Banco Master depende menos das assinaturas. Depende mais da disposição política da cúpula do Congresso em permitir que a investigação saia do papel.

Isso, portanto, elevou o custo político da decisão de Davi Alcolumbre. Ao priorizar a pauta fiscal dos municípios em ano pré-eleitoral, o presidente do Congresso também passou a concentrar a pressão pelo travamento da comissão.

O resultado é que a CPMI do Banco Master deixou de representar apenas uma possível investigação sobre o sistema financeiro. E passou, no entanto, a funcionar como teste de força sobre até onde a presidência do Congresso consegue controlar pautas com potencial explosivo dentro do Senado.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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