O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu nesta terça-feira (19) que visitou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no fim de 2025, depois da primeira prisão do banqueiro pela Polícia Federal (PF). A confirmação acrescenta um encontro presencial ao desgaste que pressiona sua candidatura presidencial.
O encontro ocorreu na casa de Vorcaro em São Paulo, quando Vorcaro já havia deixado a prisão e cumpria medidas cautelares. A admissão veio no mesmo dia em que a pesquidsa Atlas/Bloomberg apontou queda de 5,4 pontos percentuais de Flávio no primeiro turno e de 6 pontos em eventual segundo turno após o áudio em que ele pede dinheiro ao banqueiro.
Flávio Bolsonaro a aliados partidários que procurou Vorcaro para comunicar que não manteria negócios com ele após a prisão. A explicação tenta reduzir a visita a uma ruptura comercial, mas o efeito político é direto: o pré-candidato confirma contato com um banqueiro já alcançado por investigação federal.
A visita de Flávio Bolsonaro a Vorcaro muda o peso público do caso. O episódio deixou de depender apenas de áudios e mensagens sobre o filme Dark Horse e passou a incluir um encontro assumido pelo próprio senador depois da primeira prisão do dono do Banco Master.
Negócios de Flávio Bolsonaro com Vorcaro pressionam candidatura
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira registrou recuo de Flávio nas simulações presidenciais depois da revelação das conversas envolvendo Vorcaro. O levantamento ouviu 5.023 eleitores e tem margem de erro de 1 ponto percentual.
No confronto direto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o quadro saiu de empate técnico para vantagem do petista. Em abril, Flávio aparecia com 47,8%, contra 47,5% de Lula. Agora, Lula registra 48,9%, enquanto o senador soma 41,8%.
A admissão ocorreu em meio a reuniões do PL para conter o desgaste da pré-campanha. O partido reuniu parlamentares e lideranças em Brasília após dias de ruído provocado pelas revelações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.
Conforme publicado pelo portal J1 News Brasil, integrantes do PL relatam preocupação na cúpula do partido com a possibilidade de novos fatos sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro virem a público antes de serem explicados pelo pré-candidato.
Banco Master amplia desgaste na campanha
A crise do Banco Master amplia o alcance do caso porque Vorcaro não era apenas um possível financiador privado. Ele era o dono de uma instituição liquidada pelo Banco Central e alvo de investigação da Polícia Federal.
O caso reúne elementos que sustentam a pressão contra a candidatura:
- pré-candidato à Presidência em contato com banqueiro investigado;
- queda de 5,4 pontos no primeiro turno após o áudio com Vorcaro;
- recuo de 6 pontos em eventual segundo turno contra Lula;
- filme político ligado à imagem de Jair Bolsonaro;
- valor de R$ 134 milhões articulado para a produção;
- Banco Master associado a investigação e liquidação pelo Banco Central.
Flávio já havia admitido contato por quase um ano com Vorcaro para articular apoio ao filme sobre Jair Bolsonaro.
Vorcaro foi preso novamente em 4 de março de 2026 por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal.
Segundo a pesquisa, a maioria vê desgaste de Flávio Bolsonaro após a divulgação das conversas com Daniel Vorcaro: 64,1% dos entrevistados afirmaram que o episódio enfraqueceu a candidatura em algum grau.
Relação com Vorcaro expõe risco reputacional em negócio privado
A alegação de que a visita serviu para encerrar negócios não reduz o peso politíco do episódio. Ao contrário: confirma que havia uma relação a ser encerrada entre um pré-candidato à Presidência e o controlador de um banco já atingido por investigação federal.
O caso ultrapassa a disputa política porque envolve dinheiro privado, imagem pública e uma instituição financeira sob suspeita. Quando uma negociação de alto valor depende de um banqueiro investigado, o problema deixa de ser apenas a origem do recurso e passa a incluir reputação, governança e risco de associação.
Esse é o ponto que torna a explicação de Flávio mais sensível. Ao dizer que foi romper a relação depois da prisão, o senador também reconhece que o vínculo resistiu até o momento em que Vorcaro já estava no centro da crise do Banco Master.



