O caso Banco Master entrou em uma nova etapa nesta quarta-feira (04/03) após o Banco Central informar à Polícia Federal (PF) que identificou indícios de vantagens indevidas pagas a servidores da autarquia por Daniel Vorcaro, preso novamente nesta mesma quarta. A apuração interna ocorreu durante revisão de processos ligados à fiscalização bancária e à liquidação da instituição financeira.
Segundo o Banco Central, a descoberta levou à adoção imediata de medidas administrativas. A autoridade monetária afastou cautelarmente os servidores envolvidos, bloqueou o acesso deles às dependências da instituição e aos sistemas internos e iniciou procedimentos correcionais para investigar os fatos.
Caso Banco Master envolve área de fiscalização do BC
A operação policial ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Entre os alvos estão Paulo Sérgio Neves de Souza, que dirigiu a área de supervisão do sistema financeiro do Banco Central entre 2019 e 2023, e Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
De acordo com relatório da Polícia Federal enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os repasses de Daniel Vorcaro aos investigados buscavam facilitar a interlocução da instituição com o regulador, elemento que passou a integrar as apurações do caso Banco Master.
Investigação sobre a instituição financeira
As apurações indicam que os servidores teriam fornecido informações privilegiadas e auxiliado na elaboração de pedidos e estratégias encaminhadas ao Banco Central. Além disso, segundo a Polícia Federal, os investigados também atuariam como “consultores informais” dentro da autarquia para interesses ligados ao banco.
Ainda conforme a investigação, os pagamentos teriam ocorrido por meio de contratos simulados de consultoria. Esse mecanismo, portanto, teria servido para justificar transferências financeiras destinadas aos servidores, sendo só uma das muitas frentes criminosas descobertas pela investigação a Daniel Vorcaro
Desdobramentos do caso Banco Master
A Justiça determinou medidas cautelares contra os dois servidores investigados. Entre as restrições estão o uso de tornozeleira eletrônica, o afastamento judicial das funções públicas e a proibição de acessar instalações ou sistemas do Banco Central.
Em manifestação institucional, o Banco Central declarou que o trabalho da Polícia Federal representa “um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”. A autarquia também afirmou que eventuais irregularidades identificadas terão resposta sancionatória conforme a legislação.
Com a ampliação das investigações, o caso Banco Master passa a testar os mecanismos de integridade da regulação bancária brasileira, área considerada estratégica para a estabilidade do sistema financeiro nacional e para a credibilidade das instituições responsáveis pela supervisão do setor.



