A fortuna de Daniel Vorcaro voltou ao debate público nesta quarta-feira (04), após a Polícia Federal prender o empresário em São Paulo durante nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de crimes financeiros ligados ao Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado.
Enquanto o banco enfrentava suspeitas e auditorias, dados presentes em ação cível no Tribunal de Justiça de São Paulo mostram que o patrimônio declarado do Daniel Vorcaro avançou de R$ 218 milhões em 2018 para R$ 1,4 bilhão em 2023, segundo declarações de imposto de renda anexadas ao processo.
Fortuna de Daniel Vorcaro e a escalada patrimonial
A trajetória financeira começou a ganhar escala em 2018, quando Daniel Vorcaro adquiriu o então Banco Máxima, posteriormente rebatizado de Banco Master. Nos anos seguintes, o empresário ampliou operações em crédito estruturado, serviços bancários e fintechs, consolidando presença no sistema financeiro.
Durante esse período, porém, o banco passou a enfrentar questionamentos de autoridades e investigações que culminaram na liquidação determinada pelo Banco Central. O crescimento patrimonial de Vorcaro ocorreu justamente nesse intervalo.
Parte da riqueza passou a ser associada a ativos de alto valor. Investigadores apreenderam um jatinho Falcon 7X, fabricado em 2010 pela Dassault, avaliado em cerca de R$ 200 milhões. O avião está registrado em nome da Viking Participações, empresa ligada ao empresário. Segundo investigadores, Daniel Vorcaro poderia utilizar a aeronave para deixar o país.
A apuração da TV Globo também apontou que o ex-banqueiro teria outros dois jatos executivos: um Falcon 5X e um Gulfstream GV, ampliando o portfólio de aeronaves privadas associado ao empresário.
Luxo e aquisições imobiliárias milionárias
A riqueza também se refletiu em aquisições imobiliárias de alto padrão. Em 2023, a família Daniel Vorcaro comprou a mansão mais cara já negociada em Orlando, nos Estados Unidos, por US$ 37 milhões.
O imóvel possui 3,5 mil metros quadrados de área construída, com quadra de basquete, pista de boliche e campo de futebol. A imobiliária Sozo Real Estate, pertencente a Henrique Vorcaro, pai do empresário, intermediou a compra.
No Brasil, o empresário também adquiriu propriedades de grande valor. Segundo apuração da revista Piauí, uma mansão em Trancoso, na Bahia, foi comprada por R$ 280 milhões.
Além disso, Daniel Vorcaro afirmou ao jornal Valor Econômico que comprou o hotel Fasano Itaim, em São Paulo, em operação realizada na pessoa física por meio de uma estrutura de fundos. Ele também adquiriu flats na região do empreendimento e já figurava como investidor em um hotel de luxo em Campos do Jordão.
Fortuna de Daniel Vorcaro: investimentos, festas milionárias
O estilo de vida de Daniel Vorcaro, associado à fortuna, também ganhou visibilidade pública. Em 2023, o empresário organizou uma festa de 15 anos da filha que custou cerca de R$ 15 milhões em Nova Lima, Minas Gerais.
O evento reuniu 500 convidados em uma propriedade de 16 mil metros quadrados. No palco, artistas como DJ Alok e The Chainsmokers se apresentaram. O bolo da festa foi transportado de avião entre São Paulo e Minas Gerais e teria custado cerca de R$ 25 mil.
O empresário também patrocinou o camarote de luxo no carnaval de 2025. Na época, o espaço na Marquês de Sapucaí recebeu investimento aproximado de R$ 40 milhões, com DJs internacionais e convidados que recebiam cachês de até US$ 200 mil.
Paralelamente, Daniel Vorcaro ampliou investimentos no esporte, o que contribuiu para o aumento da fortuna. Ele se tornou um dos principais sócios da SAF do Atlético Mineiro. Em 2023, aportou R$ 100 milhões por 8,2% da Galo Holding por meio do fundo Galo Forte FIP. Posteriormente, investiu mais R$ 200 milhões, alcançando 26,9% de participação, atrás apenas dos empresários Rubens e Rafael Menin, da MRV.
A nova fase da operação da Polícia Federal recolocou a fortuna de Daniel Vorcaro no radar das autoridades. A Justiça determinou bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, enquanto investigadores analisam operações financeiras associadas ao colapso do Banco Master e à circulação de recursos em diferentes estruturas empresariais.



