Despegar, dona da Decolar, avalia comprar CVC após queda de 90%, mas empresa nega OPA

Rumores de que a Despegar pode comprar a CVC ganham força, mas empresa nega proposta. Entenda o impacto da queda de 90% e o interesse estratégico no setor
Imagem da fachada de uma loja da CVC para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Despegar e CVC.
Despegar avalia compra da CVC após queda de 90 das ações. (Imagem: divulgação/CVC)

Despegar compra a CVC? A pergunta ganhou força após rumores de que a controladora da Decolar avalia uma oferta pela CVC Corp, embora a empresa afirme não ter recebido proposta formal até agora.

Com ações a R$ 1,93 e histórico de queda de cerca de 90% em cinco anos, o movimento levanta uma dúvida central: a CVC virou uma oportunidade estratégica ou um ativo fragilizado no setor de turismo.

A possível OPA surge num momento em que o preço da companhia reflete mais risco do que crescimento, abrindo espaço para investidores com visão de longo prazo.

Queda de 90% transforma CVC em alvo no mercado

A trajetória recente da CVC explica o interesse. A empresa saiu de protagonista do turismo para um ativo descontado, acumulando queda de aproximadamente 90% no valor de mercado.

Esse desempenho reflete pressões estruturais:

  • impacto prolongado do pós-pandemia
  • aumento de custos operacionais
  • avanço de concorrentes digitais
  • necessidade de reestruturação interna

Com esse cenário, a leitura sobre a OPA CVCB3 muda. A operação deixa de ser surpresa e passa a ser consequência de um ativo enfraquecido.

O contraste mais evidente está no preço. Mesmo após captação a R$ 3,30 em 2023, a ação recuou para menos de R$ 2, indicando perda de confiança do mercado.

OPA pode refletir mais oportunidade do que confiança

Rumores indicam que uma eventual oferta pode incluir prêmio sobre o valor atual. Ainda assim, o contexto levanta dúvidas sobre o real benefício para os acionistas.

Para quem compra, o cenário é claro:

  • entrada com desconto relevante
  • marca consolidada no Brasil
  • rede com mais de 1.600 agências físicas
  • potencial de digitalização da operação

Para quem vende, o ganho depende do tamanho do prêmio diante da perda acumulada nos últimos anos.

A possível OPA CVCB3 pode indicar menos uma aposta no crescimento e mais uma estratégia de aquisição em momento de fragilidade.

Por que a Despegar olha para a CVC agora

O interesse atribuído à Despegar ocorre em um momento estratégico para sua controladora, a Prosus, que já tem presença relevante no Brasil.

A empresa busca ampliar atuação em consumo digital e pode ver na CVC uma porta de entrada consolidada no turismo regional.

A operação combinaria:

  • tecnologia da Decolar
  • presença física da CVC
  • base relevante de clientes
  • atuação em diversos países da América Latina

Esse modelo híbrido pode reposicionar a empresa no setor, mas também reforça um padrão: grandes grupos avançam quando ativos locais estão pressionados.

O que está em jogo se a Despegar comprar a CVC

Mesmo com a negativa oficial, o mercado já reprecifica o cenário. A CVC passa a ser vista como possível alvo estratégico.

Isso revela três pontos centrais:

  • o mercado ainda questiona a recuperação da empresa
  • o valuation atual pode estar descontado
  • investidores globais enxergam valor em ativos pressionados

A discussão sobre possível compra da CVC pela Despegar vai além do rumor. Ela expõe como o mercado enxerga a companhia hoje. Se a oferta avançar, o ponto decisivo será o preço. Ele precisa equilibrar dois extremos: uma empresa que perdeu valor, mas ainda mantém escala relevante no turismo.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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