As vendas durante o Dia das Mães 2026 devem movimentar R$ 17 bilhões no Brasil, com alta de 4,25% em relação ao ano anterior, segundo pesquisa divulgada pela Abecs em parceria com o Datafolha.
O crescimento ocorre junto com aumento do uso de crédito, ticket médio mais alto e compras para mais de uma pessoa, ampliando o gasto total e deslocando parte desse consumo para os meses seguintes.
O valor coloca a data entre as mais relevantes do varejo nacional. O avanço, porém, não vem de renda mais forte. Ele é sustentado por financiamento das compras e decisões que ampliam o custo futuro das famílias.
Ticket médio sobe e muda o padrão de consumo
O crescimento das vendas no período não vem apenas do volume, mas do aumento no valor por compra.
Os dados mostram:
- Ticket médio de R$ 262
- Alta frente a R$ 249 em 2025
- Avanço sobre R$ 229 em 2024
- Entre classes A e B, média acima de R$ 320
Esse movimento indica mudança no comportamento de consumo. O gasto por item aumenta, mesmo em um cenário de expansão moderada das vendas totais.
Ou seja, o faturamento em 2026 deve crescer mais pelo quão caro cada presente vai ser do que um aumento real no número de pessoas comprando presentes.
O que mais deve vender no Dia das Mães 2026
As categorias mais buscadas ajudam a explicar a elevação do gasto e o perfil do consumo.
Segundo as pesquisas:
- Vestuário lidera com 41%
- Cosméticos e perfumaria somam 28%
- Itens para casa aparecem com 12%
- Flores e eletrodomésticos têm 7% cada
Na leitura da SYN, empresa que administra e opera shoppings e imóveis comerciais, beleza, vestuário, calçados e perfumaria concentram a maior parte das compras, com forte presença de produtos de maior valor agregado.
Além disso, preço e promoções são decisivos para 29,1%, seguidos de qualidade (21%) e marca (9,9%). Esse comportamento mostra sensibilidade ao custo, mesmo com aumento do gasto final.
Crédito parcelado sustenta crescimento das vendas durante Dia das Mães 2026
O principal motor das vendas no Dia das Mães 2026 é o cartão de crédito, especialmente através de compras parceladas.
Os dados indicam:
- 37% usam cartão de crédito
- Entre eles, 61% pretendem parcelar
- Crédito parcelado lidera com 33,3%
- Cartão à vista (24,7%), débito (16,7%) e Pix (14,4%) ficam atrás
Esse padrão permite elevar o consumo no curto prazo, mas transfere o impacto financeiro para os meses seguintes.
O crescimento das vendas ocorre, portanto, menos por aumento de renda e mais por ampliação da capacidade de financiar compras.
Mais presentes por família ampliam o gasto total
As vendas durante o Dia das Mães em 2026 também devem ser impulsionadas pela multiplicação de presentes dentro da mesma família.
Os dados mostram:
- 54% vão presentear mais de uma mãe
- Sogra, avó, irmã e esposa entram na lista
- 75% têm intenção de compra, repetindo cenário visto durante o período de Natal.
- 35% planejam gastar mais que no ano passado
- Apenas 9% pretendem reduzir gastos
Esse comportamento amplia o consumo total sem aumento proporcional da renda, pressionando o orçamento familiar. Metade dos consumidores deixa a compra para a última semana, o que tende a reduzir comparação de preços e aumentar decisões impulsivas.
Consumo cresce, mas custo fica para depois
O consumo segue concentrado no varejo físico, onde a decisão de compra tende a elevar o gasto final. As lojas físicas concentram 72% da preferência, contra 25% do comércio eletrônico, o que favorece compras adicionais e amplia o valor médio por cliente.
Além disso, o perfil de quem consome reforça esse movimento. A intenção de compra chega a 87% entre jovens de 18 a 24 anos, enquanto recua para 35% entre pessoas com 60 anos ou mais, indicando maior presença de públicos mais inclinados ao consumo imediato.
Nesse cenário, as vendas no Dia das Mães 2026 avançam apoiadas no crédito, no aumento do valor por compra e na ampliação do número de presentes. O faturamento, portanto, deve crescer no curto prazo, enquanto o custo desse consumo se distribui nos meses seguintes.



