Acordo Mercosul União Europeia reduz tarifas e pode gerar US$ 9,3 bi ao Brasil

O acordo Mercosul União Europeia começa com corte de tarifas, amplia exportações e pode gerar até US$ 9,3 bilhões ao Brasil até 2040.
Bandeiras do Mercosul e da União Europeia em porto com navios de carga ao fundo, simbolizando acordo comercial e fluxo de exportações entre os blocos.
Acordo Mercosul–União Europeia reduz tarifas e amplia acesso do Brasil a mercado de 720 milhões de consumidores. (Foto: Ilustrativa)

Após anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (01/05) com redução imediata de tarifas sobre mais de 80% das exportações brasileiras. Na prática, isso barateia produtos no mercado europeu e amplia a competitividade das empresas do Brasil no exterior.

O que muda com o acordo Mercosul União Europeia é direto: mais de 5 mil produtos passam a entrar sem imposto na Europa, o que pode elevar o volume exportado e gerar até US$ 9,3 bilhões ao PIB brasileiro até 2040, segundo o IPEA. O impacto começa no preço, mas se estende à estrutura do comércio exterior.

Acordo entre Mercosul e União Europeia muda posição do Brasil no mundo

O impacto do acordo Mercosul União Europeia no Brasil vai além das exportações imediatas. Ele altera o posicionamento do país no comércio global.

Hoje, os acordos comerciais do Brasil cobrem cerca de 9% das importações mundiais. Com a União Europeia, esse alcance pode superar 37%.

Esse salto reduz uma limitação histórica. Empresas brasileiras passam a competir em condições mais próximas de países que já tinham acesso preferencial ao mercado europeu.

Na prática, o país deixa de operar de forma isolada e ganha escala em mercados de maior valor.

Indústria ganha vantagem e muda perfil das exportações

O efeito mais direto aparece na indústria, que concentra a maior parte dos produtos beneficiados.

Entre os itens com tarifa zerada já no início do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, cerca de 93% são bens industriais. Isso inclui máquinas, equipamentos, químicos e materiais elétricos.

Esse ponto altera o tipo de crescimento das exportações. Diferente de commodities, a indústria trabalha com maior valor agregado e maior capacidade de geração de caixa.

Com acesso ampliado, empresas podem:

  • aumentar produção para exportação
  • diluir custos fixos
  • melhorar margem em mercados externos

Esse movimento pode deslocar parte relevante da pauta exportadora brasileira ao longo dos próximos anos.

Redução de tarifas vira disputa por preço e margem

A eliminação de impostos de entrada reduz o preço final dos produtos brasileiros na Europa. Isso melhora a competitividade, mas não garante ganho automático.

O efeito real depende da estratégia das empresas. O corte de tarifas pode ser usado para:

  • reduzir preços e ganhar mercado
  • manter preços e aumentar margem
  • ajustar ambos conforme o setor

Esse mecanismo transforma o acordo em uma disputa comercial mais intensa. Empresas mais eficientes tendem a capturar maior parte do ganho.

Fase provisória do acordo entre Mercosul e UE limita decisões estruturais

Apesar do avanço, porém, o acordo entre Mercosul e União Europeia começa com uma restrição relevante: ainda não é definitivo.

Mesmo aprovado no Brasil e em outros países do Mercosul, o texto está em análise no Tribunal de Justiça da União Europeia, com prazo de até dois anos para validação. Esse cenário cria incerteza jurídica.

Esse cenário cria incerteza jurídica e, além disso, pode travar decisões de maior porte, como:

  • expansão industrial voltada à exportação
  • contratos de longo prazo
  • investimentos em capacidade produtiva

O acordo funciona, neste momento, mais como oportunidade de curto prazo do que como base para mudanças estruturais imediatas.

Cotas e prazos diluem impacto inicial

Nem todos os setores terão benefício total desde o início. Produtos sensíveis seguem com limitações.

Itens como carne, açúcar e etanol operam com cotas ou redução parcial de tarifas. No caso da carne, há limite de 99 mil toneladas com taxa reduzida.

Além disso, a eliminação completa das tarifas ocorre de forma gradual:

  • até 10 anos na União Europeia
  • até 15 anos no Mercosul
  • em alguns casos, até 30 anos

Esse cronograma reduz choques econômicos, mas também distribui os ganhos ao longo do tempo.

Como o acordo entre Mercosul e União Europeia afeta a economia brasileira

O acordo impacta a economia brasileira porque altera diretamente o fluxo de dinheiro que entra no país e a forma como as empresas competem.

Com tarifas menores, exportar para a Europa se torna mais viável. Isso tende a aumentar o volume vendido no exterior e elevar a entrada de dólares, o que melhora o caixa das empresas exportadoras e amplia sua capacidade de investir e produzir.

Esse efeito se espalha pela economia. Empresas que exportam mais demandam insumos, ampliam operações e sustentam empregos, o que gera impacto indireto sobre renda e atividade econômica.

Ao mesmo tempo, a abertura comercial aumenta a concorrência interna. Produtos europeus entram com menos barreiras, pressionando preços e reduzindo espaço para empresas menos eficientes, o que redistribui participação de mercado dentro do país.

Próximo passo define o alcance do impacto

Por fim, é seguro dizer que o efeito completo do acordo entre Mercosul e União Europeia depende da validação jurídica na Europa e da capacidade das empresas brasileiras de aproveitar a abertura.

Se o tratado for confirmado, o Brasil amplia sua integração global de forma relevante. Porém, caso enfrente restrições, o impacto pode ser limitado, mantendo o país em posição intermediária no comércio internacional.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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