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Juros do cartão de crédito disparam e expõem nova pressão sobre famílias

Os juros do cartão de crédito chegaram a 438% em 2025 e elevaram a inadimplência a 64,7%, mesmo com desemprego em mínima histórica e renda maior no Brasil.
juros do cartão de crédito em alta no Brasil em 2025
Taxa média do rotativo alcançou 438% ao ano, segundo o Banco Central. Imagem: Canva

Os juros do cartão de crédito alcançaram 438% ao ano em dezembro de 2025, segundo o Banco Central, no mesmo período em que a inadimplência no rotativo atingiu 64,7%, o maior nível da série iniciada em 2011. A escalada ocorreu mesmo com o desemprego encerrando o ano em 5,6%, a menor taxa desde 2012, e com a renda média real subindo 5,7%, para R$ 3.560.

O contraste entre renda maior e atraso recorde nas faturas expõe uma fragilidade estrutural. Embora o mercado de trabalho tenha avançado, o crédito se expandiu em ritmo mais acelerado, enquanto o custo financeiro das dívidas se distanciou da capacidade de pagamento das famílias.

Juros do cartão de crédito e a expansão do limite

Os juros do cartão de crédito refletem, em parte, a ampliação dos limites concedidos. Clientes que tinham R$ 2 mil passaram a ter R$ 5 mil disponíveis. O cartão passou a funcionar como extensão salarial, apoiado na expectativa de emprego contínuo.

Entretanto, os juros compostos avançaram em velocidade superior ao ganho real da renda. Quando a fatura deixa de ser paga integralmente, o orçamento já entrou em colapso. Nesse ambiente, o rotativo do cartão se transforma em dívida crescente, alimentada por uma das taxas mais elevadas do sistema financeiro.

Crédito rotativo e inadimplência recorde

No crédito rotativo, o consumidor paga apenas o valor mínimo e financia o saldo. Com taxa média de 438%, uma dívida de R$ 1.000 pode alcançar R$ 5.530 em um ano. Não existe aplicação financeira que compense tal custo.

A comparação com outras modalidades reforça a distorção. O cartão parcelado encerrou 2025 com 189% ao ano, enquanto o cheque especial ficou em 138,6%. Ainda assim, os juros do cartão de crédito permanecem no topo do ranking do Banco Central, pressionando o endividamento das famílias.

Juros do cartão de crédito diante do cenário de 2026

O debate sobre os juros do cartão de crédito também envolve o ciclo econômico. O IBC-Br apontou expansão de 2,4% em 12 meses até novembro, mas o Boletim Focus projeta crescimento de 1,8% para 2026. Para Oliveira, a possível queda da inflação, que fechou 2025 em 4,26%, pode aliviar o orçamento e reduzir a inadimplência.

A metodologia do IBGE considera ocupada qualquer pessoa que trabalhou ao menos uma hora na semana de referência. Isso pode mascarar renda instável e ampliar a dependência do crédito como complemento.

Assim, mesmo com desemprego baixo, os juros do cartão de crédito seguem como vetor central do desequilíbrio financeiro. O comportamento das taxas ao longo de 2026 será decisivo para determinar se o sistema caminha para ajuste gradual ou para um novo ciclo de pressão sobre consumo, crédito e estabilidade doméstica.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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