A Operação Compliance Zero entrou nesta terça-feira (19/05) em sua 7ª fase após a Polícia Federal investigar um perito criminal suspeito de vazar informações sigilosas relacionadas ao caso Banco Master analisado no Supremo Tribunal Federal (STF). A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça.
O servidor investigado, identificado como João Cláudio Nabas, foi alvo de buscas e acabou afastado da função pública. Segundo a PF, ele teria repassado informações internas da investigação a um jornalista durante análises técnicas de materiais apreendidos em fases anteriores da operação.
O novo desdobramento ampliou a pressão institucional sobre a própria Polícia Federal porque o caso deixou de atingir apenas investigados externos e passou a levantar suspeitas de comprometimento interno do sigilo investigativo.
Vazamento pressiona credibilidade da investigação do caso Banco Master
A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra o perito investigado por suposta violação de informações ligadas à investigação Banco Master.
Segundo os investigadores, os dados compartilhados envolviam conteúdos produzidos durante análises periciais relacionadas à operação conduzida no STF.
Contudo, a corporação ainda não detalhou:
- quais informações teriam sido vazadas;
- se houve acesso indevido a provas;
- qual seria o impacto direto sobre a investigação;
- quais materiais estavam sob análise técnica.
A suspeita de vazamento dentro da própria PF aumentou a preocupação sobre segurança informacional em operações de alta sensibilidade política e financeira.
O risco não envolve apenas exposição de informações sigilosas. O episódio também pode abrir espaço para questionamentos jurídicos sobre preservação da cadeia de custódia e integridade de provas reunidas ao longo da operação.
STF endurece controle sobre informações da operação
A investigação tramita no Supremo porque envolve pessoas com foro privilegiado e servidores federais.
Nos bastidores, o caso Banco Master já vinha elevando tensão institucional devido às suspeitas de influência política, monitoramento clandestino e possíveis tentativas de interferência em investigações.
Agora, o avanço da Operação Compliance Zero passou a pressionar também os mecanismos internos de proteção das informações produzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo STF.
O afastamento do perito indica que o Supremo identificou indícios considerados graves o suficiente para limitar imediatamente o acesso do investigado a materiais sigilosos.
A presença do STF no caso amplia o peso político do episódio porque operações conduzidas sob supervisão da Corte dependem diretamente da preservação do sigilo para evitar destruição de provas, alinhamento de versões e contaminação processual.
Investigação do Banco Master ampliou pressão sobre PF e STF desde 2025
A Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025 investigando suspeitas de emissão de títulos financeiros sem lastro ligados ao Banco Master. A 1ª fase terminou com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e apreensão de dinheiro em espécie, relógios de luxo e documentos financeiros.
Nos meses seguintes, a investigação ampliou o foco para lavagem de dinheiro, manipulação financeira, uso de operadores políticos e possível influência sobre órgãos públicos. A 2ª fase bloqueou mais de R$ 5,7 bilhões em bens e atingiu empresários, parentes de Vorcaro e operadores ligados ao grupo investigado.
A 3ª fase marcou uma escalada mais agressiva da PF e do STF. Daniel Vorcaro voltou a ser preso, enquanto investigadores passaram a apurar suspeitas de corrupção, intimidação, invasão de dispositivos eletrônicos e monitoramento clandestino de autoridades e jornalistas.
Depois disso, a operação avançou sobre executivos do BRB, advogados, agentes públicos e integrantes do núcleo político ligado ao caso Banco Master. A 5ª e a 6ª fases chegaram a atingir aliados políticos, familiares do banqueiro e até integrantes da própria Polícia Federal suspeitos de ligação com o esquema investigado.
Operação Compliance Zero amplia desgaste institucional
A investigação do caso Banco Master já vinha produzindo desgaste institucional por envolver empresários, operadores financeiros e suspeitas de articulação clandestina contra autoridades e opositores.
Com a nova fase da operação, a crise passou a atingir também a estrutura responsável pela própria apuração.
O caso também amplia disputas sobre credibilidade institucional, circulação de informações sigilosas e capacidade do Estado de preservar investigações estratégicas dentro do sistema federal.
Até o momento, a defesa do perito João Cláudio Nabas não havia se manifestado publicamente sobre as acusações investigadas pela Polícia Federal.



