A saída da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) da disputa pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) aumentou a pressão sobre a Equatorial para decidir se assume sozinha uma das maiores privatizações do saneamento brasileiro. A empresa avalia manter participação no processo mesmo após o fim do consórcio inicialmente planejado.
A mudança alterou o equilíbrio da disputa porque a Sabesp funcionava como principal referência operacional do grupo no setor de água e esgoto. Sem a parceira paulista, a Equatorial precisará decidir se aceita ampliar exposição financeira e operacional num segmento em que ainda constrói presença nacional.
O movimento ganhou dimensão maior porque a privatização da Copasa passou a ser tratada pelo mercado como uma das últimas grandes oportunidades de consolidação do saneamento brasileiro após as vendas da Sabesp e da Corsan.
A decisão também ocorre num momento em que grupos privados aceleram a corrida por ativos estaduais antes do fechamento do novo ciclo de privatizações do setor.
Equatorial tenta usar Copasa para acelerar avanço nacional no saneamento
A Equatorial construiu sua expansão principalmente no setor elétrico, acumulando distribuidoras em estados como:
- Maranhão;
- Pará;
- Goiás;
- e Rio Grande do Sul.
Nos últimos anos, porém, o grupo passou a usar parte da geração de caixa para entrar também em infraestrutura regulada ligada ao saneamento.
O movimento mais importante ocorreu em 2024, quando a empresa investiu cerca de R$ 6,9 bilhões para se tornar acionista de referência da Sabesp durante a privatização conduzida pelo governo paulista. A operação deu à Equatorial participação de 15% na maior companhia de saneamento do país e abriu espaço para expansão num setor impulsionado pelo Marco Legal do Saneamento.
O mercado passou a tratar a privatização da Copasa como continuação desse avanço. O problema é que a saída da Sabesp enfraqueceu parte relevante da tese original do consórcio, porque retirou justamente a empresa que concentrava maior experiência operacional em água e esgoto.
Com isso, aumentaram as dúvidas sobre a capacidade da Equatorial de assumir sozinha uma operação que exige investimentos bilionários, retorno lento e forte pressão regulatória. Minas Gerais ainda concentra desafios relevantes de universalização e expansão da cobertura fora dos grandes centros urbanos, cenário que amplia o risco de execução para qualquer comprador da Copasa.
Modelo da privatização da Copasa amplia disputa entre grupos privados
O governo de Minas estruturou a venda da Copasa em modelo semelhante ao usado nas privatizações recentes do saneamento. O Estado pretende reduzir sua fatia atual de 50,03% para até 5%, enquanto um investidor estratégico poderá comprar inicialmente até 30% da companhia. E, com isso, ampliar a participação até o limite de 45% dos direitos de voto.
A operação será feita por oferta secundária, então os recursos arrecadados irão para o caixa do governo mineiro, que pretende usar parte do dinheiro para reduzir passivos com a União. O modelo também prevê possibilidade de “golden share”, mecanismo que preserva poder limitado de veto ao Estado em decisões específicas.
A estrutura ampliou o interesse de grupos privados. Afinal, a empresa que assumir a Copasa precisará investir pesado em universalização de água e esgoto após o Marco Legal do Saneamento. Nesse cenário, a Aegea passou a ser vista como uma das concorrentes mais fortes da disputa por já operar concessões em diversos estados do país.
Saída da Sabesp transforma disputa da Copasa em teste para Equatorial
A saída da Sabesp mudou o peso da disputa porque retirou do consórcio a empresa com maior experiência. Com isso, a Equatorial passou a enfrentar dúvidas sobre sua capacidade de assumir uma operação que exige investimentos bilionários, expansão e pressão por universalização.
O mercado também passou a enxergar a privatização da Copasa como um teste da ambição nacional da Equatorial no setor. A disputa ocorre justamente no momento em que os principais ativos estaduais de saneamento começam a desaparecer após as privatizações da Sabesp e da Corsan.
Uma vitória aceleraria a transformação da empresa em potência nacional de infraestrutura regulada. Uma derrota, no entanto, reduziria o espaço na fase mais intensa de consolidação do saneamento privado no país.





