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Banco Digimais de Edir Macedo registra lucro apoiado em fundos sob alerta de auditoria

O Banco Digimais registrou forte impacto positivo no balanço após valorização acelerada de fundos e operação com empresa ligada a Edir Macedo. Auditoria apontou dificuldades para validar ativos e questionou condições das transações.
Logo do Banco Digimais ao lado de Edir Macedo.
Banco Digimais registrou lucro impulsionado por fundos sem auditoria concluída e operações ligadas ao grupo controlador de Edir Macedo. (Foto: Reprodução)

O Banco Digimais, pertencente a Edir Macedo, registrou em 2025 um lucro fortemente apoiado em operações que a própria auditoria afirmou não conseguir validar integralmente. O ponto mais sensível envolve fundos recém-criados que dispararam de valor em poucos meses e passaram a sustentar parte relevante do resultado financeiro da instituição.

As ressalvas também atingem uma negociação realizada entre o banco e uma holding ligada ao controlador Edir Macedo. Segundo os auditores, a operação ajudou a melhorar o balanço do Digimais mesmo sem apresentar condições consideradas usuais de mercado.

O caso amplia a pressão sobre o Banco Digimais num momento em que o mercado já monitora dúvidas sobre qualidade de ativos, geração de resultado recorrente e dependência crescente de reavaliações contábeis para sustentar lucro.

Antes mesmo das novas ressalvas, o banco já vinha associado a reportagens sobre deterioração financeira e dificuldade para administrar ativos problemáticos dentro da carteira da instituição.

Fundos recém-criados passaram a sustentar o lucro do Banco Digimais

O Banco Digimais informou ter investido R$ 357,6 milhões em fundos de investimento em participações (FIPs) no segundo semestre de 2025. Em dezembro, poucos meses depois da aplicação, os ativos já apareciam avaliados em R$ 997,5 milhões no balanço da instituição.

A reavaliação gerou impacto positivo de R$ 639,8 milhões sobre o resultado do banco.

A auditoria Clifton Larson Allen Brasil afirmou, porém, que não conseguiu avaliar integralmente a razoabilidade dessas avaliações porque os fundos ainda não possuíam demonstrações financeiras auditadas no fechamento do balanço.

O alerta ganhou peso porque valorizações dessa magnitude costumam ser raras em FIPs, especialmente em estruturas recém-criadas e ainda sem histórico consolidado de auditoria independente.

Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que um dos fundos envolvidos foi o Cajaíba, ligado a participações imobiliárias em uma área preservada de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. O fundo realizou sua primeira emissão de cotas apenas em agosto de 2025, poucos meses antes da forte reavaliação registrada pelo Banco Digimais.

O banco afirmou que os ativos foram avaliados por empresas independentes especializadas e atribuiu as ressalvas aos diferentes prazos de fechamento entre os fundos e o balanço da instituição.

Mesmo assim, a operação aumentou a pressão sobre a qualidade das avaliações usadas para sustentar parcela importante do lucro registrado em 2025.

Operação ligada a Edir Macedo ajudou a melhorar resultado do banco

As ressalvas da auditoria não ficaram restritas aos fundos. O relatório também apontou dúvidas sobre uma operação envolvendo o FIDC Hermon e a B.A. Empreendimentos e Participações, holding de Edir Macedo que controla o Banco Digimais.

Segundo os auditores, o banco vendeu R$ 741,3 milhões em cotas do fundo para a empresa ligada ao controlador. A negociação ajudou a reverter provisões para perdas e gerou impacto positivo de R$ 126 milhões sobre o balanço de 2025.

Apesar de reconhecer pareceres jurídicos favoráveis à operação, a auditoria afirmou que a negociação pode não refletir condições usuais de mercado.

O relatório destacou três pontos principais:

  • pagamento ainda pendente;
  • vencimento previsto apenas para 2032;
  • ausência de remuneração considerada compatível com a natureza econômica da operação.

Esse tipo de transação entre empresas ligadas ao mesmo controlador costuma receber atenção maior de auditores porque pode alterar a percepção sobre lucro, patrimônio e qualidade dos ativos registrados pela instituição financeira.

O Banco Digimais afirmou que todas as operações seguem práticas usuais de mercado e estão alinhadas às diretrizes da instituição.

Auditoria amplia pressão sobre qualidade dos ativos do Banco Digimais

Os questionamentos ficaram ainda maiores após a auditoria informar que o Banco Digimais possuía R$ 3 bilhões aplicados em fundos cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por ausência de documentação suficiente.

O valor representa 73% de todos os investimentos mantidos pelo banco em fundos.

O alerta ganhou relevância porque instituições financeiras dependem diretamente da confiança do mercado sobre o valor real dos ativos registrados em balanço. Quando auditores indicam dificuldade para validar informações, cresce a preocupação sobre liquidez, sustentabilidade do lucro e capacidade futura de absorver perdas.

No caso do Banco Digimais, parte relevante do resultado positivo de 2025 passou justamente por ativos ainda sem auditoria concluída e operações internas que ajudaram a melhorar o balanço da instituição.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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