Anúncio SST SESI

Saiba como Marco Civil da Internet pressiona redes sociais e Big Techs após decreto de Lula

O governo Lula atualizou o Marco Civil da Internet após decisão do STF e ampliou a responsabilidade preventiva das plataformas contra crimes digitais, golpes, deepfakes e violência online.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina decretos que atualizam regras do Marco Civil da Internet e ampliam obrigações das plataformas digitais no Brasil.
Os decretos que endurecem regras sobre redes sociais e atuação de Big Techs foram assinados durante evento dos 100 dias do Pacto Brasil Contra o Feminicídio no Palácio do Planalto. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O Marco Civil da Internet entrou em uma nova fase no Brasil após o governo Lula assinar, nesta quarta-feira (20/05), decretos que ampliam obrigações das plataformas digitais e endurecem regras sobre remoção de conteúdos criminosos, golpes online e violência digital. A mudança altera a lógica que sustentava a atuação das redes sociais desde 2014.

O novo modelo amplia a responsabilidade preventiva das plataformas e reduz a dependência exclusiva de decisões judiciais para retirada de conteúdos considerados graves. Na prática, empresas passam a enfrentar pressão para agir antes da Justiça em situações ligadas a crimes digitais, fraude e violência online.

A mudança representa uma ruptura relevante no funcionamento original do Marco Civil. A legislação nasceu com foco na proteção da liberdade de expressão e limitava remoções sem ordem judicial. Agora, o eixo regulatório se desloca para prevenção, monitoramento e responsabilização sistêmica das plataformas.

O que muda no Marco Civil da Internet após decisão do STF

O decreto atualiza a regulamentação de 2016 do Marco Civil da Internet e incorpora o entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre responsabilidade das plataformas digitais.

As novas regras exigem atuação preventiva contra:

  • fraudes digitais;
  • anúncios enganosos;
  • redes usadas para golpes;
  • terrorismo;
  • exploração sexual infantil;
  • tráfico de pessoas;
  • incentivo à automutilação;
  • violência contra mulheres.

O texto também determina monitoramento ativo de conteúdos ligados a discurso de ódio, racismo e incitação à violência.

Nos casos considerados graves, plataformas poderão remover conteúdos imediatamente mesmo sem decisão judicial prévia. O decreto também amplia exigências de guarda de dados para investigação e responsabilização dos autores.

As regras atingem redes sociais e plataformas de intermediação de conteúdo. Serviços de mensagens privadas, e-mails e reuniões virtuais ficaram fora das novas obrigações devido ao sigilo das comunicações.

Novo modelo aumenta pressão jurídica e operacional sobre big techs

A atualização do Marco Civil da Internet amplia risco jurídico e custo operacional para plataformas digitais no Brasil porque exige resposta mais rápida, monitoramento contínuo e maior capacidade de prevenção.

O decreto prevê responsabilização diante de falhas recorrentes na contenção de conteúdos criminosos ou fraudulentos impulsionados por publicidade dentro das próprias plataformas.

Na prática, empresas terão de ampliar:

  • equipes de moderação;
  • sistemas automatizados de monitoramento;
  • estruturas de denúncia;
  • preservação de provas digitais;
  • mecanismos de resposta rápida.

A pressão cresceu após a expansão de golpes digitais, deepfakes e conteúdos produzidos com inteligência artificial. O avanço dessas ferramentas acelerou discussões globais sobre responsabilidade das plataformas e limites da liberdade digital.

O Brasil passa agora a se aproximar de modelos regulatórios mais rígidos adotados em mercados internacionais. Especialmente na Europa, onde empresas digitais enfrentam obrigações preventivas mais amplas.

Violência digital contra mulheres acelera endurecimento das plataformas

O segundo decreto concentra foco na violência digital contra mulheres e cria uma das exigências mais rápidas já impostas às plataformas no país.

Aegundo a atualizalão no Marco Civil da Internet, empresas terão de retirar conteúdos denunciados em até duas horas após notificação em casos relacionados a:

  • divulgação de nudez sem consentimento;
  • deepfakes sexuais;
  • perseguição;
  • ameaças;
  • assédio coordenado.

As plataformas também precisarão manter canais específicos de denúncia e informar de forma visível o “Ligue 180.”

O texto amplia pressão sobre conteúdos gerados por inteligência artificial ao reforçar a proibição do uso da tecnologia para criar imagens íntimas falsas. O avanço dos deepfakes sexuais elevou preocupação global sobre monetização de violência digital e disseminação automatizada de abusos.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ficará responsável por acompanhar a atuação das plataformas e poderá solicitar informações para avaliar medidas adotadas pelas empresas.

Atualização no Marco Civil da Internet muda papel das plataformas no Brasil

O endurecimento das regras também expõe uma mudança mais profunda no funcionamento da internet brasileira. O modelo original do Marco Civil da Internet priorizava proteção jurídica das plataformas e remoção condicionada principalmente a decisões judiciais.

Agora, o governo e o STF avançam para uma lógica baseada em prevenção, monitoramento contínuo e responsabilidade sistêmica das empresas digitais. Essa transição, no entanto, amplia a tensão entre liberdade de expressão, poder das plataformas e controle sobre conteúdos online.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias