Novo Código de Ética da Alece amplia regras digitais em meio à pressão de Elmano contra fake news

A Alece acelera votação de novo Código de Ética com regras sobre inteligência artificial, deepfakes e redes sociais em meio ao avanço do debate político digital no Ceará.
Novo Código de Ética da Alece avança após sessão presidida por Romeu Aldigueri na Assembleia Legislativa do Ceará
Deputados discutem novo Código de Ética da Alece durante sessão desta terça-feira (19), em Fortaleza (Foto: Júnior Pio/Alece)

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB), pediu nesta terça-feira (19) que os deputados acelerem a análise do novo Código de Ética da Alece, cuja votação deve ocorrer até o fim deste mês. A proposta amplia regras sobre redes sociais, inteligência artificial e fake news dentro do Parlamento estadual.

O movimento ocorre enquanto o governador Elmano de Freitas (PT) intensifica críticas públicas contra fake news, ataques virtuais e uso político da desinformação no ambiente digital. O novo texto aproxima a Assembleia Legislativa de debates que hoje dominam Congresso, Supremo Tribunal Federal (STF) e governos estaduais.

A proposta também aumenta o peso institucional do Conselho de Ética ao prever até suspensão cautelar de mandato em casos considerados graves.

Novo Código de Ética da Alece cria regras inéditas para IA e deepfake

O atual código da Assembleia foi criado em 2006, antes da explosão das redes sociais e muito antes do avanço das ferramentas de inteligência artificial generativa.

Segundo o presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), o novo texto moderniza regras consideradas defasadas diante da transformação digital da política.

Entre os principais pontos previstos estão:

  • proibição de deepfakes ligados à atividade parlamentar;
  • vedação à manipulação artificial de engajamento;
  • exigência de transparência em conteúdos produzidos por IA;
  • punições por discurso de ódio;
  • enquadramento de violência política de gênero.

A nova redação também amplia deveres parlamentares ligados ao ambiente digital e fortalece mecanismos internos de responsabilização política.

Romeu Aldigueri afirmou que o texto foi elaborado pela Procuradoria, Diretoria-Geral e pelo Centro de Estudos e Atividades Estratégicas da Casa. Segundo ele, a proposta pode se tornar referência nacional entre assembleias legislativas.

Elmano amplia discurso contra desinformação enquanto Alece endurece regras

O avanço do novo Código de Ética da Alece ocorre num ambiente político cada vez mais pressionado pelo impacto das redes sociais sobre eleições, reputação pública e disputas institucionais.

Nos últimos meses, Elmano passou a ampliar críticas públicas contra ataques digitais e campanhas de desinformação no Ceará. O tema ganhou ainda mais espaço após o crescimento do uso de inteligência artificial para produção de conteúdos manipulados e disseminação automatizada de narrativas políticas.

A proposta da Alece surge justamente nesse cenário de maior pressão institucional sobre o ambiente digital. O texto também aproxima o Legislativo estadual das discussões nacionais sobre responsabilização política nas plataformas digitais e limites da atuação parlamentar online.

Mesmo entre deputados favoráveis à proposta, parte dos parlamentares defende ajustes para evitar interpretações consideradas excessivas sobre liberdade política e atuação nas redes sociais.

Novo texto amplia pressão política dentro da Assembleia

Além das regras digitais, o novo código aumenta o alcance disciplinar interno da Alece ao consolidar hipóteses mais objetivas para quebra de decoro parlamentar.

Entre as medidas previstas estão:

  • suspensão cautelar de mandato em situações excepcionais;
  • atuação ampliada do Conselho de Ética;
  • definição de prescrição para infrações éticas;
  • atualização das regras de responsabilização parlamentar.

A possibilidade de afastamento cautelar elevou atenção dentro da Casa porque amplia o peso político dos processos internos envolvendo deputados estaduais.

Durante a sessão desta terça-feira (19), parlamentares elogiaram a modernização do texto, mas defenderam aprofundamento das discussões antes da votação final.

O deputado Heitor Férrer (PSDB) afirmou ter identificado “excessos” na proposta, embora tenha apoiado a continuidade do debate. Já a deputada Dra. Silvana (PL) informou que apresentará emendas para alterar pontos do projeto.

Alece tenta transformar novo código em referência nacional

A presidência da Assembleia trabalha para votar o projeto ainda neste mês após o período de análise das bancadas e assessorias jurídicas.

Segundo Romeu Aldigueri, o texto recebeu prazo de 30 dias para discussão interna antes da votação em plenário.

O presidente da Alece afirmou que a proposta pretende transformar o Ceará em referência nacional na atualização de regras parlamentares ligadas ao ambiente digital e ao uso político da inteligência artificial.

Mesmo sem envolver impacto orçamentário direto ou criação de despesas bilionárias, o projeto ganhou forte dimensão política porque mexe diretamente com o funcionamento interno do Legislativo, atuação pública dos deputados e disputas digitais que passaram a influenciar o cenário eleitoral brasileiro.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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