A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master passou a atingir diretamente o núcleo político do governo fluminense após o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, virar alvo de buscas ligadas aos aportes bilionários do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência).
O foco da operação envolve cerca de R$ 3 bilhões aplicados pelo fundo previdenciário estadual em produtos ligados ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro. Isso, mesmo sob alertas de órgãos de controle e crescente pressão sobre a saúde financeira da instituição.
O avanço da operação amplia a tensão porque os recursos investigados pertencem ao sistema que paga aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores estaduais do Rio de Janeiro.
Cláudio Castro e Banco Master levam investigação ao centro político do Rio
A 8ª fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos alvos foi a residência de Cláudio Castro na Barra da Tijuca. A PF apura aplicações feitas pelo Rioprevidência em diferentes etapas desde 2023.
A investigação começou após a Operação Barco de Papel identificar cerca de R$ 970 milhões enviados ao Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Agora, os investigadores passaram a analisar outros aportes posteriores que elevaram o volume total para aproximadamente R$ 3 bilhões.
O caso aumentou a pressão porque parte das aplicações ocorreu mesmo após manifestações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) questionando o nível de exposição do fundo previdenciário ao banco.
Além do Rioprevidência, parlamentares afirmam que a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) também realizou aplicações financeiras na instituição.
Segundo dados apresentados na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), os investimentos da estatal somariam cerca de R$ 200 milhões.
Rioprevidência expõe risco político sobre dinheiro das aposentadorias
A pressão sobre o caso aumentou porque o Rioprevidência não administra recursos comuns do caixa estadual. O fundo é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores do Rio, o que elevou o peso político das aplicações investigadas pela PF.
As suspeitas passaram a atingir diretamente os critérios usados nos investimentos feitos durante a gestão de Cláudio Castro. O foco agora, contudo, não está apenas nos aportes bilionários. Mas sim na decisão de manter exposição ao Banco Master mesmo após alertas e questionamentos de órgãos de controle.
Na prática, a investigação começou a levantar dúvidas sobre:
- gestão de risco do fundo;
- fiscalização das aplicações;
- critérios técnicos dos aportes;
- nível de controle do estado sobre operações financeiras.
O desgaste aumentou ainda mais porque a operação retomou o foco sobre nomes já atingidos pela investigação. O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, preso em fevereiro na Operação Barco de Papel, voltou a ser alvo de buscas nesta terça-feira.
O avanço da investigação ocorre num momento delicado para o Banco Master. A instituição enfrenta pressão crescente no mercado financeiro diante de discussões sobre liquidez, estrutura de captação e exposição a ativos considerados mais arriscados.
Esse ambiente ampliou a sensibilidade política das aplicações feitas pelo Rioprevidência e aumentou a pressão sobre a relação entre governo estadual, fundos públicos e instituições financeiras privadas.
Crise do Banco Master amplia desgaste institucional no Rio
O avanço da investigação também pressiona a relação entre governo estadual, órgãos de controle e Assembleia Legislativa.
No início do mês, deputados da oposição conseguiram assinaturas para tentar instalar uma CPI destinada a investigar os investimentos realizados no Banco Master. A comissão ainda não foi aberta oficialmente, mas a operação da PF tende a aumentar a pressão política pela instalação.
A nova ofensiva da PF ocorre menos de duas semanas após Cláudio Castro já ter sido alvo de outra operação federal ligada a suspeitas de fraudes fiscais envolvendo a antiga Refinaria de Manguinhos.
A repetição das ações elevou o desgaste político do ex-governador num momento em que o entorno do Banco Master enfrenta crescente escrutínio regulatório e judicial.
O avanço das investigações sobre Cláudio Castro e o Banco Master, inclusive, deve aumentar a pressão por mudanças nos critérios de aplicação financeira usados por fundos previdenciários estaduais.





