A isenção de Imposto de Renda por problemas de saúde está com os dias contados?

Mudanças no IR limitam isenção por saúde e mantêm dedução integral de gastos médicos. Comparação com outros países revela impactos globais.
Ministro em coletiva sobre mudanças no imposto de renda na saúde.
(Imagem: Cristiano Mariz/Agência O Globo)

O governo federal anunciou importantes mudanças no Imposto de Renda (IR), trazendo novas diretrizes que impactam diretamente a isenção para pessoas com problemas de saúde e a dedução de gastos médicos. As mudanças fazem parte de um pacote de reforma tributária, com início previsto para 2026, e prometem ajustar distorções no sistema atual.

Mudanças no imposto: impacto nas isenções por saúde

Uma das mudanças envolve a limitação da isenção de IR para pessoas com problemas de saúde. Anteriormente, essa isenção não tinha limite de renda, mas agora será restrita a quem recebe até R$ 20 mil mensais. O objetivo, segundo o Ministério da Fazenda, é corrigir desigualdades no sistema e garantir maior equidade tributária.

A manutenção da dedução integral de gastos médicos, no entanto, foi confirmada. Isso significa que contribuintes continuarão podendo deduzir 100% das despesas com saúde em suas declarações de IR, sem tetos ou restrições.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esclareceu que a medida busca otimizar a arrecadação, mantendo o equilíbrio fiscal sem prejudicar o acesso à saúde, especialmente para as classes média e alta.

Como funciona em outros países?

No cenário internacional, o Brasil adota um modelo único de dedução integral de gastos médicos. Em países como os Estados Unidos, as deduções são aplicadas apenas para despesas médicas que ultrapassam 7,5% da renda anual. Já na França, há isenção total para pessoas com doenças graves, independentemente da renda, mas os critérios de elegibilidade são mais rígidos.

O Canadá também adota uma abordagem semelhante ao Brasil, permitindo deduções mais amplas para cuidados médicos.

Perspectivas para 2026 e próximos passos

O Congresso debaterá a reforma do IR, prevista para entrar em vigor em 2026, ao longo de 2025. Além disso, o governo planeja ajustes graduais na tabela do IR, de modo que ele evitará penalizações severas para contribuintes que ganhem a partir de R$ 5.001.

O governo aplicará a gradualidade por meio de um desconto simplificado, semelhante ao modelo atual, garantindo maior acessibilidade para contribuintes de baixa e média renda. Segundo o Ministério da Fazenda, a reforma não visa aumentar a arrecadação, mas redistribuí-la de maneira mais justa.

Foto de Vitoria Costa Pinto

Vitoria Costa Pinto

Vitória Costa Pinto, estudante de Comunicação Social na UFBA, iniciou sua carreira em 2019 como redatora. Atuou como social media, gestora de projetos e planejadora de conteúdo, consolidando-se como jornalista em 2024. Apaixonada por política, economia e negócios, acredita no poder transformador da comunicação.

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