A inflação do aluguel recua para -0,11% no acumulado de 12 meses, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (27/11). O resultado, referente ao período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, interrompe a sequência de altas e modifica a referência utilizada em contratos que dependem do IGP-M para reajuste anual. A virada no acumulado ocorre porque saiu da base o avanço de 1,30% registrado em novembro de 2024.
O recuo está ligado ao Índice de Preços ao Produtor Amplo, que caiu 2,06% e domina a composição do IGP-M. O economista do FGV Ibre Matheus Dias afirma que “em boa parte de 2025 prevaleceram quedas expressivas de preços, tanto de produtos industriais quanto agropecuários”. Esse comportamento superou o avanço do Índice de Preços ao Consumidor, de 3,95%, e do Índice Nacional de Custo da Construção, que marcou 6,41%. O contraste entre atacado e varejo explica a formação do resultado anual.
Inflação do aluguel recua e pressiona negociações
A leitura de um IGP-M negativo não garante redução automática dos contratos porque diversas locações seguem cláusulas que autorizam apenas repasses positivos. Esse arranjo impede reduções mesmo quando a referência está abaixo de zero. Ainda assim, a baixa do indexador tende a estimular renegociações, sobretudo em contratos comerciais que operam com margens apertadas. O indicador também se mantém relevante para tarifas públicas e serviços essenciais, o que amplia seu alcance no cotidiano de empresas e famílias.
No mês de novembro, o IGP-M registrou alta de 0,27%, revertendo a queda de 0,36% computada em outubro. A oscilação mostra que o índice reage rapidamente às mudanças de preços no atacado, ao câmbio e ao comportamento das commodities. A coleta realizada entre 21 de outubro e 20 de novembro em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador reflete essas variações de forma ampla.
Dinâmica ampliada do indicador
A estrutura do IGP-M revela como setores produtivos influenciam negociações imobiliárias, já que o atacado costuma reagir antes dos preços ao consumidor. Esse efeito gera deslocamento contratual em ciclos de descompressão, quando o varejo ainda opera com custos pressionados. Nesse contexto, administradoras de imóveis, varejistas e companhias reguladas monitoram o índice para ajustar estratégias de curto prazo.
Perspectiva técnica para um ciclo de queda
Com a permanência da queda do indicador, analistas observam que negociações podem ganhar ritmo até o início de 2026, especialmente em grandes centros urbanos. A combinação entre custos ainda elevados no varejo, volatilidade do atacado e pressões da construção civil deve orientar contratos e tarifas. Além disso, nesse ambiente, a inflação do aluguel recua aparece como referência estratégica para setores indexados e para decisões imobiliárias em todo o país.
A FGV, responsável pela divulgação oficial do IGP-M, mantém acompanhamento contínuo do comportamento do índice e disponibiliza atualizações periódicas que servem como base técnica para análises de mercado.











