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Trump impõe regulação de IA nos EUA e ameaça verbas a estados

A regulação de IA nos EUA entrou no centro do debate nos Estados Unidos após Donald Trump assinar uma ordem executiva que busca concentrar no governo federal as regras sobre inteligência artificial e limitar leis estaduais. A medida autoriza a Casa Branca a condicionar repasses de verbas, como recursos para banda larga, ao alinhamento dos estados à política nacional, abrindo um conflito federativo e reacendendo discussões sobre inovação, autonomia local e governança da tecnologia. Saiba tudo sobre na matéria completa.
Trump e debate sobre regulação de IA nos EUA
Ordem de Trump reacende disputa sobre regulação de IA nos EUA e limites às leis estaduais (Foto: Isac Nóbrega/PR)

A regulação de IA nos EUA entrou em novo patamar após Donald Trump assinar, na última quinta-feira (11/12), uma ordem executiva que busca concentrar no governo federal as decisões sobre o uso de inteligência artificial nos Estados Unidos. O texto autoriza a Casa Branca a reter recursos destinados à expansão da banda larga de estados que adotarem leis vistas como incompatíveis com a política nacional para inteligência artificial.

Até aqui, o avanço da IA no país ocorreu sob um arranjo descentralizado. Isso porque, diante da paralisia do Congresso em aprovar uma legislação ampla, estados passaram a criar normas próprias, tratando de privacidade de dados, transparência de algoritmos, deepfakes eleitorais e riscos associados a modelos avançados. Entretanto, tal cenário fragmentado obrigou empresas a lidar com exigências distintas conforme a jurisdição.

Regulação federal de IA e o novo desenho institucional

A nova regulação de IA nos EUA altera esse equilíbrio ao priorizar uma norma nacional de inteligência artificial, ainda em construção, como referência superior às leis estaduais. Na prática, o Departamento de Comércio foi encarregado de revisar legislações estaduais e identificar conflitos com as prioridades federais. Estados enquadrados como excessivamente restritivos podem perder acesso a recursos do fundo de US$ 42 bilhões destinado à expansão da banda larga no país.

Segundo a Casa Branca, a padronização busca reduzir custos de conformidade e estimular inovação, sobretudo entre startups. O argumento central é que múltiplos regimes regulatórios dificultam o crescimento de um setor considerado estratégico. Especialmente em um contexto de competição tecnológica com potências rivais, como a China.

Estados e Congresso entram em conflito por conta da regulação IA nos EUA

A iniciativa provocou reação imediata de lideranças estaduais e de parlamentares democratas. Estados como Califórnia e Nova York já haviam aprovado leis exigindo maior transparência no uso de algoritmos e planos de mitigação de riscos por grandes desenvolvedores. Porém, com a nova diretriz, essas políticas passam a conviver com a ameaça de esvaziamento prático.

Críticos apontam que a regulação de IA nos EUA defendida por Trump pode reduzir a autonomia dos estados e levantar dúvidas constitucionais. Já o deputado Don Beyer afirmou que a ordem pode criar um ambiente permissivo demais para empresas do setor. E, além disso, reduzir o incentivo para que o Congresso avance em uma lei equilibrada.

Já no Brasil, regulação de IA ainda está em construção

No Brasil, a regulação da IA, ao contrário dos EUA, segue em fase inicial e ainda não há uma lei federal específica em vigor. O principal texto em debate é o Projeto de Lei 2338/2023, aprovado pelo Senado em 2024 e atualmente em análise na Câmara dos Deputados. A proposta estabelece diretrizes gerais de governança, classifica sistemas de IA por nível de risco e define responsabilidades para desenvolvedores e operadores. Porém, enquanto o marco não é concluído, temas como privacidade e uso de dados permanecem parcialmente cobertos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Diretriz nacional de IA e os próximos passos

A ordem executiva também orienta a Casa Branca a trabalhar com o Congresso na construção de um arcabouço legal permanente. Entre os princípios citados estão a proteção de crianças, o respeito a direitos autorais e a prevenção de censura. No entanto, não há detalhamento sobre mecanismos de fiscalização ou responsabilização.

No curto prazo, a regulação de IA nos EUA amplia a incerteza regulatória para estados e reforça o poder de barganha do governo federal. Ao condicionar verbas e priorizar um padrão único, Trump sinaliza que a regulação federal de IA será usada como instrumento de política econômica e tecnológica. E com efeitos diretos sobre inovação, governança digital e a relação entre Washington e os estados.

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